DENVER - O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, pronunciará nesta quinta-feira um discurso histórico na convenção de seu partido, com o qual irá direto ao ponto, insistirá em seu slogan de mudança, se auto-retratará como um tipo comum e criticará seu rival John McCain.

Segundo sua campanha, o discurso de Obama reunirá cerca de 75 mil pessoas e encerrará a Convenção Democrata em Denver que, entre outras coisas, entrará para a história por ter confirmado, pela primeira vez, a candidatura de um negro à presidência dos EUA .

Os últimos preparativos revolucionaram o estádio de futebol americano Invesco Field, sede do evento, patrulhado por um Exército de policiais e sobrevoado por helicópteros.


Invesco Field já está pronto para receber Obama / AP

Dia simbólico

O senador por Illinois aceitará formalmente a candidatura presidencial democrata 45 anos depois do mítico discurso "I have a dream" ('Eu tenho um sonho') do reverendo afro-americano e líder dos direitos civis Martin Luther King.

"Sonho com que meus quatro filhos vivam um dia em um país onde não sejam julgados pela cor de sua pele", disse Luther King há exatos 45 anos em um país muito diferente, no qual a possibilidade de um negro concorrer pela Casa Branca parecia impossível de ser alcançada.

A materialização do sonho de Luther King provocou ontem lágrimas de alegria no Pepsi Center, onde o senador afro-americano foi proclamado candidato presidencial democrata por aclamação.

Discurso pragmático

Obama começou a trabalhar em seu discurso durante suas recentes férias no Havaí, e o escreveu no fim de semana passado em um hotel de Chicago, a 15 minutos de sua casa.

O senador também leu seu famoso discurso "A audácia da esperança", pronunciado na Convenção de Boston de 2004 e que propiciou sua fulgurante ascensão na política americana em outro hotel de sua cidade. "É uma superstição", confessou recentemente.

O candidato democrata deixou claro que não pretende copiar sua aparição em Boston esta noite.

Ao contrário de 2004, quando introduziu sua incomum trajetória com um discurso emotivo e idealista, no qual falou de um "único" país capaz de transcender as divisões raciais e políticas, o discurso de hoje promete ser mais pragmático.

Seus rivais republicanos o acusam com freqüência de ser um orador muito hábil e que pronuncia discursos vagos nos quais não se oferecem soluções reais aos problemas do país.

"Quero comunicar como planejo ajudar a classe média", afirmou Obama esta semana.

Em busca da classe média

O aspirante à Casa Branca teve problemas para atingir grande parte dessa classe média e trabalhadora, para a qual se dirigirá hoje, e que parece ver nele um político sofisticado e incapaz de compreender suas preocupações mundanas.

Por este motivo, Obama e seus assessores lançaram uma campanha destinada a estabelecer pontos comuns entre o senador democrata e as classes média e baixa.

Antes de sua chegada ontem a Denver, Obama lembrou que sua mãe o criou sem a ajuda de um pai - os Obama se separaram quando o senador tinha dois anos e ele só voltou a ver o pai mais uma vez - e se viu obrigada a recorrer durante um tempo à ajuda do governo para comprar comida.

"Sei o que eles passam e esse é o motivo pelo qual estou na política. A política não me aproximou da classe trabalhadora. A classe trabalhadora fez com que entrasse na política", declarou esta semana em um comício eleitoral.

Além disso, traçará um claro contraste entre sua oferta de governo e a de seu rival republicano John McCain, a quem, segundo sua campanha, atacará "de forma respeitosa".

Obama, que escreveu seu discurso a lápis em um bloco de anotações, e o transcreveu depois no computador, buscou inspiração para esta noite em discursos de aceitação pronunciados por vários presidentes desde Ronald Reagan, até George H.W. Bush (pai do atual presidente), Franklin Roosevelt, Harry Truman e John F. Kennedy.

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* Com EFE

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