Obama está sintonizado com ação do Brasil no Haiti, diz embaixador

WASHINGTON - O aspirante democrata à Presidência norte-americana, senador Barack Obama, segue de perto temas ligados à situação do Haiti, onde o Brasil lidera tropas para a estabilização do país, disse na quarta-feira o embaixador brasileiro em Washington, Antonio Patriota.

Reuters |

O engajamento brasileiro na missão de paz da Organização das Nações Unidas (ONU), com mais de 1.000 soldados, fez parte de conversa recente entre o embaixador com Anthony Lake, figura-chave na campanha de Obama para política internacional, que trabalhou para Bill Clinton como assessor de segurança nacional.

Obama defende a ampliação da ajuda ao país caribenho, principalmente devido à escassez de alimentos, e o aumento da ajuda em treinamento e cooperação para fomentar o desenvolvimento no país mais pobre do hemisfério.

No âmbito geopolítico internacional, Lake comentou que Obama busca levar adiante uma visão multilateralista que prestigia organismos como a ONU em detrimento da formação de novos blocos de países.

Também há uma 'disposição favorável' de Obama à ampliação do Conselho Permanente de Segurança da ONU, no qual o Brasil pleiteia uma vaga, e à inclusão do país no G8, grupo de países mais industrializados mais a Rússia, disse Patriota.

O rival de Obama para as eleições de novembro, o republicano John McCain, também tem defendido a entrada de Brasil e Índia no G8, mas mostrou objeções a manter a Rússia no grupo.

O republicano também defendeu a criação de uma 'Liga das Democracias', que aglutinaria governos com posições semelhantes e excluiria países autocráticos, como a China.

Lake defende uma idéia semelhante, que chama de 'concerto das democracias', algo mais informal, mas o assessor ressaltou que Obama é contrário à idéia.

'Ele quer preservar as Nações Unidas', disse Patriota.

O embaixador deixou claro o incômodo do governo brasileiro com a posição de Obama em favor da Colômbia depois do bombardeio a um acampamento das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia em território equatoriano, o que gerou uma grave crise entre os dois países.

Para Obama, o ataque se justificaria embasado na doutrina de ataque preventivo que os Estados Unidos usaram no Afeganistão e que visa a entrada em território estrangeiro para perseguir terroristas, como é classificada a guerrilha colombiana nos Estados Unidos.

Patriota deixou claro que a própria Organização de Estados Americanos (OEA) explicitou em resolução que, para os países da região, a inviolabilidade territorial é sagrada.

Ambos também falaram de política energética e etanol, embora o democrata, que vem do Illinois, região produtora de etanol a partir do milho, defenda a manutenção da tarifa imposta ao álcool brasileiro no Congresso americano.

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