Obama está aberto a ter Hillary como vice

WASHINGTON (Reuters) - O pré-candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos Barack Obama não descartou nesta quinta-feira escolher sua rival de partido Hillary Clinton como candidata à vice-presidência se ela for derrotada na disputa pela nomeação.

Redação com agências internacionais |

'Não há dúvida que ela tem qualidade para ser vice-presidente, não há dúvida que ela tem qualidade para ser presidente', disse Obama à NBC News.

Em uma entrevista para a CNN, o senador disse que não havia consolidado a indicação democrata à Casa Branca, mas quando o fizer, começará a procurar por um vice.

'Ela é incansável, inteligente. Ela é capaz. E obviamente, ela estaria em qualquer lista para ser uma potencial candidata a vice-presidente', disse Obama, que chegou mais perto de conseguir a nomeação do partido ao derrotar Hillary na Carolina do Norte e ao quase ganhar da rival em Indiana.

Alguns democratas dizem que Obama e Hillary formariam uma equipe formidável contra o republicano John McCain na corrida para as eleições de novembro.

De acordo com uma pesquisa da CBS News/New York Times publicada na semana passada, a maioria de eleitores de Obama e Hillary disseram que gostariam de uma chamada 'Aliança dos Sonhos' envolvendo os dois candidatos.

A campanha de Hillary desviou-se da discussão. O porta-voz da campanha Howard Wolfson disse a jornalistas na quarta-feira que era prematuro discutir tal aliança e que ele ainda não havia ouvido Hillary expressar interesse na vice-presidência.

EUA se mobilizam

No entanto, um batalhão de jovens militantes democratas próximos a Hillary lançou uma "campanha pela chapa perfeita".

Na última terça-feira Harold Ford, do DLC (Democratic Leadership Council), líder de uma corrente centrista do Partido Democrata, começou a defender fortemente uma candidatura comum.

"Uma chapa Obama-Hillary poderia responder às grandes preocupações, de uma parte e da outra, pela animosidade entre ambos e pela dificuldade de Obama em atrair o voto dos brancos", disse Ford ao canal MSNBC.

William Galston, um antigo colaborar de Bill Clinton, marido de Hillary, e que atualmente trabalha na Brookings Institution, calcula que esta parceria poderia impulsionar Obama a alcançar o inconcebível, como quando em 1960 John Kennedy ofereceu a vice-presidência a Lyndon Johnson e em 1980 Ronald Reagan se uniu a George Bush.

"Apesar das diferenças, Obama poderia aceitar que o mais prudente seria unir o partido", propondo a Hillary dividir a chapa. "Caso ela não aceite, o partido não a perdoaria mais", afirmou Galston.

Há vários meses alguns comentaristas políticos sonham com que os candidatos-estrelas do Partido Democrata se tornem aliados, apesar da crescente aspereza que se vê na campanha de ambos.

Depois das vitórias em Ohio e no Texas em março, Hillary cogitou uma parceria com Obama, contanto que ela fosse a líder.

"Se os dois se unirem, sua força será praticamente impossível de deter", afirmou na época Bill Clinton.

No entanto, Obama, que decidiu não baixar a cabeça enquanto liderar as pesquisas democratas, não aceitou o convite.

A manobra é "bem transparente", disse o estrategista do senador de Illinois, David Axelrod, dando a entender que os Clinton tentavam fazer crer que, votando na ex-primeira-dama, os eleitores poderiam, ao mesmo tempo, ter Obama como vice-presidente e então, ganhar experiência suficiente para concorrer à presidência.

Mas até o momento, ninguém aponta Hillary como líder das pesquisas e como a candidata mais forte à candidatura democrata e o assunto é tratado com muita cautela pelo lado de Obama.

"Evidentemente, quando assegurarmos a candidatura, Obama deverá tomar sua decisão e escolher um companheiro de chapa, mas agora é cedo demais para se falar nisso", repetiu na quarta-feira David Plouffe, estrategista do senador.

(*Com informações das agências Reuters e AFP)

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