Obama e McCain se preparam para novo debate na TV

Os candidatos à presidência dos Estados Unidos, John McCain e Barack Obama, voltam a se enfrentar nesta terça-feira, na Universidade de Belmont (Nashville, Tennessee), em um segundo debate televisivo, que neste caso incluirá perguntas dos espectadores.

AFP |

Menos de um mês antes das eleições presidenciais, os dois candidatos responderão perguntas dos espectadores presentes e inclusive, pela primeira vez, dos internautas.

"O debate abordará qualquer pergunta feita pelo público", informa o site da comissão dos debates presidenciais.

O candidato republicano John McCain está particularmente cômodo com esta modalidade. Ele gosta deste tipo de encontro, durante o qual percorre, com o microfone na mão, um pequeno cenário cercado pelo público, intercalando brincadeiras em seu discurso.

No entanto, McCain perdeu terreno nas pesquisas, entre outros motivos por sua dificuldade em apresentar uma resposta às preocupações econômicas. Ele pode, então, adotar um tom mais duro, seguindo a estratégia de sua candidata a vice, Sarah Palin, que no sábado acusou Obama de "ser amigo de terroristas".

O candidato democrata geralmente se sente bem em público, mas seu profundo conhecimento dos temas o torna em alguns momentos um orador bastante complicado para o espectador médio. Ele deverá, portanto, evitar um discurso muito tecnocrático.


Começam os preparativos para o debate na Universidade de Belmont / Reuters

"Obama precisa apenas seguir se mostrando como alguém absolutamente capaz de assumir a presidência e concentrar sua campanha sobre a economia em dificuldade. McCain deve mostrar Obama como um risco inaceitável. Obama está muito mais confortável que o segundo", explica à AFP Thomas Mann, especialista em política americana na Brookings Institution.

Seu colega, Stephen Hess, acrescenta: "Um novo debate oferece poucas oportunidades a John McCain de mudar os fundamentos destas eleições, dadas as preocupações econômicas profundas dos eleitores".

Clima tenso

Entre os dois debates, os senadores se encontraram apenas uma vez, quarta-feira da semana passada em Washington, para a votação do plano de resgate financeiro no Senado. O aperto de mãos, por iniciativa de Obama, foi gélido. Os dois não trocaram uma só palavra.

O tom da campanha americana se endureceu neste fim de semana, quando os republicanos não hesitaram em acusar o democrata Barack Obama de ter ligações com terroristas, uma estratégia que pode dar certo junto aos eleitores do país, preocupados no momento com a crise financeira, mas sempre atentos à questão de segurança nacional.

Faltando um mês para as eleições, a equipe de John McCain anunciou que vai iniciar uma campanha ofensiva contra o senador por Illinois.

De fato, a candidata republicana à vice-presidência, Sarah Palin, iniciou no sábado essa ofensiva contra Obama , dando espaço para que seu companheiro de chapa se prepare para o crucial debate de terça.

Ela acusou o democrata de ser "alguém que vê os Estados Unidos como algo tão imperfeito que, aparentemente, é amigo de terroristas dispostos a tomar como alvo seu próprio país".

Palin se referia a um artigo do The New York Times sobre Bill Ayers, uma ex-militante contra a guerra do Vietnã que lançou uma campanha de atentados nos Estados Unidos e cujo caminho cruzou com o de Obama nos anos 1980.

Os democratas classificaram o ataque como "ridículo, desonesto e imoral" .

Para os democratas, os ataques têm como único objetivo "mudar de assunto", considerando que o tema em voga - a crise econômica -, é extremamente negativo para os republicanos.

Enquanto McCain permanece em residência de Sedona (Arizona) até esta segunda-feira, Obama prossegue fazendo campanha em Asheville (Carolina do Norte).

O debate, que terá duração de 90 minutos, começará às 21H00 de Washington (22H00 de Brasília) e será exibide pela maioria das redes de televisão.

O último debate acontecerá em 15 de outubro na Universidade Hofstra, em Hempstead (Nova York), 20 dias antes das eleições de 4 de novembro.

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