Obama e McCain brigam por estados-chave, a 18 dias das eleições

Após a trégua das brincadeiras da noite passada em um ato de arrecadação de fundos, os aspirantes à Casa Branca, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, voltam hoje à carga em dois estados-chave da disputa.

EFE |

A apenas 18 dias das eleições, os esforços se concentram em um punhado de estados indecisos como a Virgínia, onde está Obama, e a Flórida, para onde viajou McCain.

As pesquisas confirmam que o vento segue soprando a favor de Obama, que recebeu hoje o apoio do jornal "The Washington Post".

O Post afirmou que o democrata "tem o potencial de se transformar em um grande presidente", apesar seu "relativamente pouca experiência na política nacional".

O Real Clear Politics, site que realiza uma média das diferentes pesquisas, lhe dá hoje 6,8% de vantagem.

O democrata dirigiu-se hoje à Virgínia, um estado republicano desde as eleições presidenciais de 1968, no qual os conservadores vêem agora em perigo sua hegemonia.

Situado no sul da Costa Leste dos EUA, a Virgínia, como os demais estados meridionais, abandonou os democratas após a Presidência de Lyndon Johnson (1963-1969), perante a insatisfação com as reformas da era dos direitos civis.

Mas a Virgínia, que passou de ser um estado rural e conservador a um mais urbanizado e plural, está agora em jogo.

A Virgínia é um dos 10 ou 12 estados aos que se limita a batalha pela Presidência dos Estados Unidos nesta reta final da campanha.

O democrata defendeu ali seu plano para melhorar o sistema de saúde do país, onde 47 milhões de pessoas carecem de seguro médico.

Obama vinculou novamente a seu rival republicano as políticas fracassadas de George W. Bush, cuja baixa popularidade transformou-se em um lastro para as ambições políticas de McCain.

"No debate desta semana, McCain sentiu a necessidade de informar que ele não é o presidente Bush", assinalou Obama, em referência ao comentário realizado na quarta-feira pelo republicano, que afirmou: "Eu não sou o presidente Bush".

"Não culpo McCain por todos os erros de Bush. Afinal de contas só votou com George Bush 90% das vezes", comentou em tom irônico.

"Mas é justo dizer que durante o curso de três debates e 20 meses, o senador McCain ainda não disse uma só coisa que o tornasse diferente de George W. Bush quando se refere aos assuntos econômicos mais importantes que enfrentamos hoje", acrescentou.

McCain, enquanto isso, está hoje na Flórida, um estado que historicamente favorece os republicanos e onde Obama tem agora uma ligeira vantagem, não significativa do ponto de vista estatístico.

A campanha do senador segue centrada em desacreditar a Obama, como demonstram as chamadas automatizadas em vários estados do país que vinculam o democrata a Bill Ayers, um ex-membro do grupo radical Weather Underground envolvido em atentados contra o Pentágono e o Capitólio nos anos 60.

As chamadas, que começaram na quinta-feira em Nevada, Wisconsin e outros estados-chave, sustentam que Obama "trabalhou estreitamente com terroristas como Bill Ayers, cuja organização bombardeou o Capitólio, o Pentágono, a residência de um juiz e matou a americanos".

Obama condenou as atividades radicais de Ayers, com quem serviu juntamente na direção de várias associações beneficentes em Chicago, embora não existam provas de que ambos mantenham ou tenham mantido uma relação.

O democrata insistiu na quarta-feira em que ele tinha oito anos quando Ayers era um radical.

Apesar da agressividade da campanha, os dois presidenciáveis enterraram o machado de guerra na quinta-feira durante um jantar beneficente em Nova York, na qual McCain tratou de minimizar a importância do comentário realizado recentemente em um debate no qual se referiu a seu rival com um depreciativo "esse".

"Não lhe importa em absoluto", disse McCain, brincando que Obama também lhe chama "George Bush".

Obama, que alguns acusam de arrogante, mencionou que seu maior virtude é "a humildade" e lamentou, por exemplo, que a crise imobiliária vá golpear tão duro McCain, um senador endinheirado -graças à fortuna de sua esposa- que em um momento da campanha não soube responder quantas casas tinha.

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