Obama e Karzai falam sobre terrorismo e tráfico no Afeganistão

CABUL - O candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, se reuniu neste domingo em Cabul com o presidente do Afeganistão, Hamid Karzai, com quem conversou sobre a guerra contra o terrorismo e o tráfico de drogas no país.

Redação com agências internacionais |

Em entrevista coletiva, o porta-voz presidencial, Humayun Hamidzada, confirmou que Karzai e uma delegação de senadores, entre os quais se encontrava Obama, almoçaram juntos e mantiveram um encontro de pouco mais de uma hora.

"Falaram sobre as relações bilaterais (entre Afeganistão e Estados Unidos), a guerra contra o terrorismo e o tráfico de drogas, assim como sobre a cooperação regional", explicou Hamidzada.


Obama se econtrou com Karzai neste domingo / AP

"Obama e o resto da delegação renovaram o compromisso dos EUA com o Afeganistão", acrescentou. Karzai agradeceu aos senadores pelo apoio dos Estados Unidos ao povo afegão, segundo o porta-voz.

Na semana passada, Obama criticou o presidente afegão em entrevista à CNN. 'Acho que o governo Karzai não saiu do bunker para ajudar a organizar o Afeganistão, seu governo, seu judiciário, as forças policiais de maneira que desse confiança ao povo. Então há muitos problemas lá', disse.

Mas quando foi questionado se pretendia falar com dureza com Karzai e com o primeiro-ministro iraquiano, Nuri al-Maliki, Obama respondeu: 'Estou mais interessado em ouvir do que em conversar muito'. 'E acho que é muito importante reconhecer que vou para lá como um senador norte-americano. Temos um presidente de cada vez e é trabalho do presidente mandar essas mensagens.'

Viagem surpresa

O senador de Illinois chegou no sábado em visita surpresa ao Afeganistão e iniciou, assim, uma viagem por Europa e Oriente Médio que o levará também a Israel, Jordânia, Reino Unido e Alemanha, e não se descarta que vá também ao Iraque.

Após aterrissar em Cabul, Obama visitou as tropas americanas desdobradas na base de Jalalabad, na província de Nangarhar (leste), após o que voou a Bagram, localidade situada 60 quilômetros ao noroeste de Cabul, onde os Estados Unidos têm a mais importante base aérea do país no Afeganistão.

Obama passou a noite em Bagram, e nesta manhã voltou a Cabul, onde tomou café-da-manhã com soldados americanos antes de se reunir com Karzai.


Obama conversa com soldados na fila do "bandejão" / AP

Comitiva

Obama viaja na companhia dos senadores Chuck Hagel (Republicano) e Jack Reed (Democrata), ambos veteranos de guerra que têm sido mencionados pela mídia como potenciais candidatos a vice-presidente do democrata. Contudo, Reed já declarou que não está interessado na vaga.

Na terça-feira Obama deverá fazer uma parada na Jordânia, antes de viajar para Israel e depois seguir para a Europa, onde visitará a Alemanha, a França e o Reino Unido.

Frenesi informativo

A viagem do candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, acaba por se assemelhar a visitas presidenciais.

Em geral, a Casa Branca costuma tornar pública quando será realizada uma viagem presidencial pelo menos uma semana antes do início -as exceções são visitas ao Iraque ou Afeganistão. Já a equipe de campanha de Obama manteve o mistério sobre a data oficial, que só foi divulgada poucos dias antes.

A viagem já gerou um verdadeiro frenesi informativo. Cerca de 200 jornalistas pediram para acompanhar o candidato, mas a equipe de Obama só pôde conseguir vaga para aproximadamente 40.

Em comparação, McCain viajou ao exterior em três ocasiões nos últimos quatro meses, mas recebeu uma cobertura midiática muito inferior. Em sua visita ao México e à Colômbia, apenas duas das grandes emissoras enviaram enviados especiais, e nenhum deles era apresentador de noticiários.

Alguns meios de comunicação já compararam a cobertura e a expectativa da viagem de Obama - a primeira ao exterior desde que começou a temporada de primárias, em janeiro - a uma turnê dos Beatles.

Até o momento, pouco se sabe sobre as atividades de Obama em sua viagem. No entanto, está previsto um encontro com os líderes da Autoridade Nacional Palestina (ANP) na Cisjordânia, e uma reunião com a chanceler alemã, Angela Merkel, na Alemanha.

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Com EFE, AFP e Reuters

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