Obama diz que Powell será seu assessor

Teresa Bouza. Washington, 20 out (EFE).- O candidato democrata à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, disse em resposta ao apoio do ex-secretário de Estado do país, Colin Powell, que este participará de sua administração caso ele vença as eleições em novembro.

EFE |

"Ele terá um papel como um dos meus assessores", afirmou Obama em uma entrevista à rede de televisão "NBC".

"Teríamos de discutir se ele quer ter um papel formal, caso lhe interessar", afirmou o senador por Illinois sobre Powell, que ontem se referiu a Obama como uma "figura transformadora" e um político com o potencial de ser um "presidente excepcional".

Secretário de Estado durante o primeiro mandato do presidente George W. Bush, Powell denunciou algumas das táticas negativas utilizadas pela campanha do candidato republicano John McCain.

Ele criticou ainda a escolha de Sarah Palin para ser candidata a Vice-Presidência do país na chapa de McCain, ao argumentar que ela não está "preparada para ser presidente" e substituir McCain caso seja necessário.

O apoio do ex-chefe da diplomacia americana e do Estado-Maior conjunto à candidatura de Obama é hoje objeto de debate político entre os analistas americanos, que tentam determinar o possível impacto disso a apenas 15 dias do pleito.

Para a revista americana "Politico" é possível que Powell "ajude Obama a convencer os céticos de centro" que têm dúvidas sobre a capacidade do democrata de enfrentar os desafios do cargo de comandante-em-chefe. No entanto, ainda é forte o argumento de McCain, que diz estar "melhor preparado nos temas de segurança nacional".

Jeff Zeleny, do jornal "The New York Times", tem a mesma opinião e aponta que o apoio de Powell "poderia impulsionar Obama entre os independentes, os moderados e neutralizar as preocupações sobre sua experiência".

Para o "The Wall Street Journal", a notícia representa "o último sinal de que o Partido Republicano está se fragmentando diante da pressão a qual a campanha está sendo submetida".

Obama lidera as pesquisas de intenções de voto em nível nacional e está na frente em alguns dos possíveis estados-chave em 4 de novembro, como Virgínia e Colorado.

De todo modo, a vantagem do democrata diminuiu nos últimos dias, e o próprio Obama adiantou hoje que a "corrida poderia ficar ainda mais apertada".

"Isso é o que ocorre no lance final da campanha", destacou.

Nesse contexto, Mark Halperin, da revista "Time", ressalta que a vantagem "indiscutível" do apoio de Powell impede qualquer chance de McCain ganhar nos próximos dias os meios de comunicação, que se centrará, segundo ele, nas repercussões sobre a declaração do ex-secretário de Estado.

Já McCain, diminuiu ontem a importância da notícia, ao dizer que isso já era esperado e insistir que recebeu o apoio de outros quatro ex-secretários de Estado republicanos.

Influentes comentaristas conservadores, como Rush Limbaugh, também minimizaram o apoio, e diferentes republicanos o vincularam a uma revanche de Powell por suas tensas relações com Bush.

Powell foi uma das vozes mais moderadas durante o primeiro mandato do atual presidente americano, mas se tornou em uma figura polêmica após defender na Organização das Nações Unidas (ONU) em 2003 a invasão do Iraque.

Posteriormente, demonstrou-se que as provas apresentadas na ONU tinham sido fruto de uma inteligência fracassada. Powell se referiu a esse episódio como uma "mancha" em seu histórico.

Mesmo assim, Powell e sua longa trajetória militar e política gozam de boa reputação no país, após esclarecer que tinha ido a ONU em última instância e afirmar que tinha expressado objeções sobre as provas a apresentar.

O ex-secretário de Estado deixou o cargo após a reeleição de Bush em 2004 diante da falta de entusiasmo por parte da Casa Branca com sua continuidade lá.

Obama faz hoje campanha na Flórida, enquanto McCain vai ao Missouri, dois dos estados mais disputados. EFE tb/rb/jp

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