Obama caminha na direção do centro político dos EUA

Mudança. É com este slogan que o candidato democrata à Presidência dos EUA, Barack Obama, deve garantir a indicação formal do partido na convenção que será realizada entre os dias 25 e 28 de agosto em Denver.

Henrique Melhado Barbosa, do Último Segundo |

Após vencer as prévias apresentando-se como uma alternativa a mais um período de hegemonia Clinton-Bush na Casa Branca, Obama começa a rever algumas posições para conquistar o eleitorado independente e os americanos conservadores do sul e do Meio-Oeste norte-americanos, que devem votar em peso no candidato republicano, John McCain. Do outro lado, eleitores liberais esperam que a "mudança" que Obama representa não se refira às próprias posições do candidato.


Campanha de Obama aposta no desejo de mudança ("change") do eleitorado / Getty

Durante a campanha em que deixou para trás rivais de peso no partido, em especial Hillary Clinton, as principais bandeiras do primeiro candidato negro por uma agremiação majoritária apoiavam-se na sua posição contrária à guerra no Iraque, a reconciliação com as minorias e em uma nova forma de se fazer política.

O bordão "Yes, we can" (Sim, nós podemos) não parecia distante dos sonhos dos milhares de jovens que o gritavam nos lotados comícios, inclusive na histórica visita à Alemanha ¿ onde um discurso seu diante da Coluna da Vitória, em Berlim, reuniu 200 mil pessoas, seu maior público durante toda a campanha.

A verve idealista refletiu-se na arrecadação recorde de fundos por meio de pequenas contribuições individuais. Enquanto Hillary apostou nas robustas contas das empresas, Obama usou a internet como uma nova forma de arrebanhar os eleitores.

Agora, porém, Obama se distancia daquela mensagem, como o fez de seu conselheiro, o reverendo Jeremiah Wright, quando este, em vídeos divulgados pelas emissoras conservadoras, afirmou que o governo americano seria responsável pela disseminação da Aids na comunidade negra. Diante da saia justa, o candidato abandonou em 31 de maio sua igreja após 20 anos.

A nova postura de Obama vê exceções em casos de aborto ¿  posição que sempre defendeu ¿, no controle de armas e na pena de morte ¿ apoiando a decisão em um caso de estupro de crianças.

A missão que era derrotar a máquina partidária dos Clinton transformou-se em uma disputa para vencer o preconceito racial enraizado na sociedade norte-americana e conquistar os votos de quem ainda teme que Barack Hussein Obama, seu nome completo, é muçulmano e usa turbante.


Oratória é um dos pontos fortes do democrata / Getty Images

Veja abaixo as principais mudanças no discurso do candidato democrata à Presidência dos EUA.

Energia

Diferentemente do que afirmava ao longo das prévias democratas, Obama disse na última segunda-feira que pretende usar as reservas de petróleo do governo para reduzir os preços dos combustíveis.

Em sua nova proposta para a política energética, além da liberação de 70 milhões de barris das reservas, Obama revelou que poderia apoiar as perfurações em águas profundas ¿ o que no passado se opunha frontalmente ¿ a energia nuclear e o corte de impostos para a produção de gás. O democrata também defendeu a liberação das reservas nacionais do Alasca para exploração, projeto já debatido pelo presidente George W. Bush.

Ao contrário de McCain, que é só elogios ao etanol brasileiro, Obama apóia o biocombustível feito a partir do milho, mais caro e dependente dos altos subsídios governamentais, com o intenção de garantir a simpatia dos agricultores do Meio-Oeste dos Estados Unidos.

Financiamento público de campanhas

Mesmo continuando com sua posição a favor do financiamento público de campanhas políticas, Obama contraditoriamente rejeitou, em junho, a contribuição governamental, optando pelos milhões de eleitores e empresas.

"Não é uma decisão fácil, porque eu apóio um vigoroso sistema de financiamento público de eleições. Mas o financiamento público de eleições presidenciais como existe hoje está falido e nós enfrentamos oponentes que se tornaram mestres em jogar nesse sistema falido", afirmou o candidato após bater recordes na arrecadação de fundos.

Iraque

Como forma de se diferenciar de Hillary Clinton, que como senadora foi favorável à invasão do Iraque, Obama sempre manteve o discurso de colocar um fim à guerra. Como senador, foi um dos poucos a se opor ao conflito e votou contra o aumento de tropas e do orçamento militar na época em que os soldados norte-americanos viviam seus piores momentos.

No começo de julho deste ano, no entanto, Obama afirmou que poderia rever a sua estratégia quanto à segurança das tropas para a sua retirada do Oriente Médio. As palavras foram interpretadas como um recuo e causaram mal-estar na campanha, obrigando o candidato a conceder nova coletiva horas depois para reafirmar a sua posição de retirar as tropas em 16 meses, apesar de reconhecer que viajaria ao Iraque para "refinar" sua política para o conflito.

Prévias

Quando as prévias democratas da Flórida e de Michigan foram invalidadas por adiantarem suas datas ao calendário democrata oficial, Obama se disse favorável a posição do partido em desconsiderar a votação nos Estados, já que nos pleitos saiu derrotado por Hillary Clinton.

Agora que matematicamente garantiu a indicação democrata, o candidato pediu a partido que reconsiderasse os votos desses eleitores na convenção. "Nós precisamos estar e estaremos unidos em nossa determinação de mudar o curso da nação. Sendo assim, os colegas da Flórida e Michigan precisam saber que são nossos parceiros na missão histórica de redesenhar Washington e liderar nosso país em uma nova direção", disse Obama.

Lei dos grampos telefônicos

Em mais um movimento em direção ao centro, o senador e candidato democrata votou a favor do projeto de lei que previa imunidade às companhias de telefone que grampearam linhas a pedido do governo sem autorização judicial, após os ataques de 11 de setembro. A decisão, que inclusive contou com o voto contrário de Hillary Clinton, irritou a ala liberal do partido, base de apoio de Obama durante toda a campanha.

Com informações da Agência EFE , BBC Brasil e Reuters

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