Obama afasta-se da campanha para visitar avó doente

Por John Whitesides INDIANÁPOLIS, EUA (Reuters) - O candidato do Partido Democrata à Presidência dos EUA, Barack Obama, vai se afastar de sua campanha por um dia, a partir de quinta-feira, para visitar a avó doente no Havaí, cedendo espaço ao adversário do Partido Republicano, John McCain, menos de duas semanas antes da eleição.

Reuters |

Obama ficará em Honolulu na sexta-feira visitando Madelyn Dunham, a mulher que ajudou a criá-lo e a quem chama com carinho de "Toot" -- abreviação de "tutu", a palavra havaiana para avó.

Dunham, 85, quebrou recentemente o quadril e está bastante doente. Obama disse que não deseja repetir o erro cometido com sua mãe, que morreu de câncer antes de o filho ter conseguido ficar ao lado dela.

"Nós sabíamos que ela não estava bem. Mas, vocês sabem como é, o diagnóstico era tal que acreditamos ter um pouco mais de tempo. E não tivemos", disse Obama a respeito da morte de sua mãe, em uma entrevista concedida ao canal CBS e divulgada na quinta-feira. "De forma que quero ter certeza de não cometer o mesmo erro duas vezes."

A pausa ocorrerá no momento em que os dois candidatos dão início à reta final rumo às eleições de 4 de novembro. Pesquisas de opinião mostram Obama ampliando sua vantagem em relação a McCain.

Depois de um comício a ser realizado na metade do dia, em Indianápolis, Obama colocará seu avião de campanha em uma viagem de 11 horas até Honolulu, incluindo aí uma parada para reabastecimento. O candidato ficará menos de 24 horas em terra antes de regressar para Nevada, na sexta-feira à noite.

Mas a campanha de Obama não ficará paralisada na ausência dele. Antes de partir, o democrata gravará uma entrevista com o canal ABC a ser transmitida na sexta-feira. E a incansável campanha publicitária alimentada com o recorde de arrecadação obtido pelo candidato continuará a ir para o ar.

A mulher dele, Michelle, e o candidato a vice-presidente da chapa democrata, Joe Biden, também continuarão realizando eventos de campanha.

'SEM ESCOLHA'

Obama tomou a decisão de voltar ao Havaí após conversar com sua meia-irmã, que vem cuidando de Dunham, afirmou Robert Gibbs, assessor dele.

Julian Zelizer, historiador da Universidade Princeton, disse haver um risco em afastar-se da campanha em uma eleição tão disputada, mas "essa é obviamente uma escolha pessoal que fará Obama sentir-se melhor e que pode fazer dele um candidato mais forte".

A decisão de viajar para o lar da sua infância a fim de visitar uma parenta tão querida revela um lado pessoal de Obama, filho de uma mãe branca do Kansas e de um pai negro do Quênia que seu viu atingido por campanhas difamatórias e perguntas abertas a respeito de seu patriotismo, seu credo religioso e seu passado.

"Um candidato preferiria passar 36 horas tentando convencer eleitores indecisos na Pensilvânia do que ficar afastado da campanha do Havaí. No entanto, parte da campanha é fazer com que as pessoas conheçam o candidato", afirmou Zelizer.

"Eis um cara no meio de sua campanha que está tirando uma folga em nome de sua família. Isso envia um sinal a respeito de quem ele é."

Obama costuma falar em seus comícios sobre seus avós. O avô dele lutou na Segunda Guerra Mundial e a avó trabalhou em uma linha de montagem de bombardeiros. Os dois mais tarde se mudaram para o Havaí, onde ela se tornou vice-presidente de um banco.

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