Obama acusa McCain de ignorar excessos de Wall Street

O candidato democrata à Presidência dos EUA, Barack Obama, acusou na terça-feira seu rival republicano, John McCain, de ter feito vista grossa aos excessos do mercado financeiro, que agora afetam não só Wall Street como a economia como um todo.

Reuters |


Acordo Ortográfico A crise financeira - a maior desde a Grande Depressão - se tornou mais um tema econômico de relevância na campanha, junto com o desemprego, a inadimplência hipotecária e o preço da gasolina.

Em discursos de tom populista, ambos os candidatos disseram que a crise é resultado da ambição de agentes financeiros que se expuseram a riscos excessivos.

'"s notícias de Wall Street abalaram a fé do povo norte-americano na nossa economia", disse Obama em Golden (Colorado), onde defendeu regras mais rígidas para o setor financeiro.

"Trata-se de uma grave ameaça à nossa economia e à sua capacidade de criar empregos bem remunerados e ajudar os norte-americanos trabalhadores a pagar suas contas, economizar para o seu futuro e fazer os pagamentos das hipotecas", disse Obama.

McCain disse que a subsistência dos trabalhadores foi ameaçada por causa "da ambição e da má administração de Wall Street e Washington".

"No meu governo, vamos responsabilizar as pessoas de Wall Street e vamos adotar reformas que garantam que esses ultrajes - porque são ultrajes - nunca [mais] aconteçam", disse o republicano num comício em Tampa, Flórida.

Os mercados financeiros dos EUA sofreram seus maiores prejuízos desde 11 de setembro de 2001 em reação à falência do banco Lehman Brothers e à venda do Merrill Lynch para o Bank of America.

Obama criticou seu adversário por só agora se converter à idéia de que é preciso controlar mais o setor financeiro. Disse que é uma atitude semelhante à do presidente George W. Bush, também republicano, e que demonstra "uma atitude desdenhosa com relação à supervisão e à fiscalização".

"Não se pode confiar em John McCain para restabelecer a supervisão adequada do nosso mercado financeiro por uma simples razão: ele demonstrou repetidamente que não acredita [em supervisão]", disse Obama.

O democrata citou a proximidade de McCain com o economista e ex-senador Phil Gramm, que em 1999 apresentou um projeto que revogava leis da era da Depressão, permitindo que bancos, fundos de investimento e seguradoras comprassem ações umas das outras.

A campanha de McCain reagiu lembrando que o senador republicano em várias ocasiões pediu medidas para controlar as empresas de hipotecas Fannie Mae e Freddie Mac, que neste mês acabaram sendo estatizadas.

"Ao contrário de Barack Obama, John McCain esteve adiante da curva em propor reformas do Fannie Mãe e Freddie Mac. Barack Obama nunca propôs uma legislação [sobre isso]; ele só se interessou em reformas quando isso se tornou politicamente conveniente", disse Doug Holtz-Eakin, consultor econômico do republicano.

McCain também propôs na terça-feira a criação de uma comissão independente, nos moldes da que investigou os atentados de 11 de setembro de 2001, para avaliar o que provocou a atual crise e propor soluções.

Obama ridicularizou a idéia, dizendo que significa se omitir. "O negócio é que isso não foi o 11 de Setembro. Sabemos como chegamos nessa bagunça", disse.

    Leia tudo sobre: eleições nos eua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG