McCain e sua estratégia enfrentam pane, a três semanas das eleições

WILMINGTON - John McCain procura desesperadamente um meio mais equilibrado de enfrentar o adversário democrata, Barack Obama, hesitando entre o respeito, o ataque pessoal e o anúncio de novas iniciativas econômicas, a dois dias de seu último debate na televisão antes das eleições presidenciais americanas.

AFP |


O candidato republicano admitiu nesta segunda-feira que a eleição de 4 de novembro será "muito disputada". "Preciso de vocês", lançou aos eleitores da Carolina do Norte, um Estado tradicionalmente alinhado aos republicanos. "Nos próximos 22 dias, peço a vocês para se envolverem. Será uma eleição difícil", acrescentou, durante comício em Wilmington (sudeste dos EUA).

Pressionado pelo próprio campo a prometer reduções de impostos, ele preferiu não apresentar por enquanto o novo plano fiscal, contentando-se em insistir nas propostas anunciadas semana passada em favor dos proprietários de casa ameaçados de despejo.

John McCain havia declarado, durante um comício em Virginia Beach, que tem um "plano" para ajudar a superar a crise econômica, num momento em que seu adversário, Barack Obama, também divulga as linhas mestras das suas proposições.

Acompanhado da esposa, Cindy, e de sua companheira de chapa, Sarah Palin, McCain declarou: "tenho um plano para manter o valor de suas casas e aumentá-lo novamente comprando empréstimos hipotecários".

"Meu plano volta-se, também, para os aposentados e os que se aproximam da idade da aposentadoria, para conservarem seus rendimentos. Além disso, mantém as mesmas taxas de impostos para, depois, reduzi-las e permitir a criação de empregos."

McCain disse, também, que não aumentaria os impostos sobre as pequenas empresas, como, segundo ele, propõe Barack Obama. "Reduziremos os custos da energia em alguns meses e criaremos milhões de empregos", também declarou ante uma multidão entusiasta.

Segundo uma sondagem ABC News/Washington Post divulgada nesta segunda-feira, Barack Obama tem 53% das intenções de voto contra 43% de McCain, e os autores da pesquisa advertem que um candidato não tem conseguido superar uma desvantagem como essa desde 1936.

Em plena crise financeira, 55% dos consultados afirmaram que a economia será o elemento mais importante na hora de votar, enquanto que 53% consideraram que Obama é o mais competente em relação a esse assunto, contra 37% que preferiram McCain.

O senador pelo Illinois, de 47 anos, se beneficia também da impopularidade do presidente George W. Bush, que tem um nível de aprovação de apenas 23%.

A preocupação dos republicanos levou alguns deles a propor medidas radicais. "É tempo de despedir a equipe de campanha", escreveu nesta segunda-feira no New York Times o editorialista conservador William Kristol, ao considerar que McCain "nada tem a perder".

Já o candidato democrata, Barack Obama, está divulgando também hoje um novo plano para recuperar a quebradeira na economia americana, num momento em que apresenta uma crescente vantagem sobre o rival nas pesquisas de intenção de voto.

Suas propostas incluem a redução de impostos para criar novos postos de trabalho e uma moratória no processo de retomada das casas de mutuários inadimplentes.

"Necessitamos fazer aprovar um plano de resgate econômico para a classe média e necessitamos fazê-lo agora", afirma o senador por Illinois em discurso adiantado à imprensa, e que pronunciará nesta segunda-feira em um comício em Toledo (Ohio, centro-norte), a três semanas das eleições de 4 de novembro.

"Não podemos esperar mais para ajudar os trabalhadores, suas famílias e as comunidades em dificuldades, que agora mesmo estão lutando e que não sabem se seus empregos e suas aposentadorias estarão garantidas amanhã; que não sabem se o cheque da próxima semana bastará para pagar as contas do mês", acrescentou.

Um dos assessores em assuntos econômicos de Obama, Jason Furman, afirmou que seu plano seria inteiramente financiado, entre outras situações, por impostos mais elevados sobre os rendimentos mais altos e afirmou que "a prioridade, agora, é evitar uma penosa recessão".

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