McCain e Obama intensificam busca por voto hispânico

WASHINGTON - Os candidatos à presidência dos Estados Unidos Barack Obama e John McCain intensificaram hoje a busca pelo voto hispânico e ofereceram visões diferentes, tanto em tom quanto em conteúdo, sobre o rumo da economia e o avanço da principal minoria no país.

EFE |

Durante a 79ª convenção da Liga de Cidadãos Latino-americanos Unidos (Lulac, em inglês), os dois se apresentaram como o melhor candidato para liderar o país, em um contexto em que a crise econômica afeta milhões de americanos.

O candidato republicano apresentou uma forte defesa de seu plano de cortes de impostos para a pequena empresa, e insistiu em que a segurança fronteiriça passa por uma possível reforma migratória.

"Devemos provar (aos americanos) que podemos e conseguiremos assegurar nossas fronteiras primeiro, mas, por sua vez, respeitamos a dignidade e os direitos dos cidadãos e residentes legais", disse McCain em seu discurso, o qual durou aproximadamente meia hora.

Plano democrata

Já para Obama, esta disputa se trata de construir "um governo que funcione para todos os americanos", afetados, disse, por uma anêmica economia, escolas em mau estado e uma educação inferior, escassez de cobertura médica, e a imigração ilegal, entre outros problemas.

"Precisamos de um presidente que não abandonará algo tão importante quanto a reforma (migratória) integral quando for politicamente impopular", acrescentou Obama, que reiterou sua promessa de tornar a questão a "maior prioridade" durante o primeiro ano de mandato, se for eleito em novembro.

Imigração ilegal

Tanto Obama quanto McCain compartilham, minimamente, da mesma idéia sobre o que fazer com a presença de 12 milhões de imigrantes ilegais nos Estados Unidos.

Só que McCain, arquiteto de uma reforma em 2007, já não apóia mais esse plano, tentando atrair a ala conservadora do partido.

Agora, o candidato republicano destaca a necessidade de fortalecer primeiro a fiscalização na fronteira sul, e essa foi a mensagem que repetiu hoje.

Mais à frente, a campanha distribuiu um folheto no qual destacou que Obama apoiou cinco emendas "venenosas" que sepultaram a reforma migratória em 2007.

Ao destacar os problemas que afligem os Estados Unidos, McCain disse que é resulta inaceitável que, "em um país tão grande quanto o nosso", a metade dos estudantes hispânicos e a metade dos negros não concluam o ensino médio.

E os americanos que conseguem, ficam bem atrás em ciências e matemática, em comparação com outros países industrializados, afirmou.

Plano econômico

Sobre a economia, McCain criticou a taxa atual de impostos que a pequena empresa paga, que, segundo disse, adiará a recuperação econômica e tornará os EUA "menos competitivos na economia mundial".

Seguindo essa vertente, McCain propôs reduzir de 35% a 25% a taxa tributária para essas companhias e disse rejeitar "as falsas virtudes do isolamento econômico".

Sem mencionar os acordos de livre-comércio pendentes no Legislativo, McCain assegurou que não é construindo barreiras à concorrência externa, e sim reduzindo-as, que se consegue criar mais e melhores empregos, o que ajuda a controlar as pressões inflacionárias.

Ele também se solidarizou com as pessoas que foram deslocadas pelo comércio exterior, apoiando uma reforma "exaustiva" dos programas de desemprego e capacitação desses trabalhadores.

Nada do discurso impressionou os ativistas democratas, que qualificaram o candidato republicano de "mais do mesmo".

Pelo menos nove milhões de hispânicos comparecerão às urnas em 4 de novembro e, com uma disputa tão acirrada, ambos os candidatos disputam cada um dos votos, começando com os presentes neste fórum.


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