McCain e Obama elogiam envio de ajuda humanitária dos EUA à Geórgia

WASHINGTON - Os aspirantes à presidência dos Estados Unidos, o democrata Barack Obama e o republicano John McCain, elogiaram, nesta quarta-feira, o envio de ajuda humanitária do país à Geórgia, e exigiram que a Rússia respeite a integridade territorial georgiana.

EFE |

Os dois candidatos reagiram assim ao anúncio de hoje do presidente americano, George W. Bush, de enviar duas missões à Geórgia, uma política liderada pela secretária de Estado dos EUA, Condoleezza Rice, que também irá à França, e outra humanitária, para tentar combater a crise nessa região.

Em um ato de arrecadação de fundos em Birmingham (Michigan), McCain disse que o envio humanitário constitui um bom primeiro passo e que os Estados Unidos "devem apoiar da forma mais valente possível este pequeno país".

No encontro com doadores, McCain reiterou seu apelo para que os russos sejam expulsos do Grupo dos Oito (G8, sete nações mais ricas do mundo e a Rússia).

Em clara alusão a seu rival, McCain tentou se projetar como o candidato com mais experiência internacional, ao indicar que crises como o conflito na Geórgia precisam de "uma mão firme e experiente no Governo".

Mais adiante, em entrevista coletiva, McCain respondeu às críticas sobre sua resposta inicial à agressão russa contra Geórgia.

"Este não é o momento para o partidarismo ou para ataques entre as campanhas" perante uma situação "repleta de tragédia humana" na qual está em jogo a vida de "centenas de milhares de pessoas", afirmou.

McCain disse que "conhece bem" o presidente da Geórgia, Mikhail Saakashvili, e que, sob seu mandato, os georgianos vivenciaram uma prosperidade e liberdade "sem precedentes".

O senador republicano do Arizona respondeu com um simples "não" quando questionado sobre se os EUA, além do anúncio de Bush, devem cogitar uma ação militar contra a Rússia.

"Acho que enviamos uma mensagem clara. O primeiro passo, obviamente, é uma cessação ao fogo real, seguido pela retirada das tropas russas do território georgiano", observou McCain.

Nessa mesma linha se expressou Obama, mediante um comunicado a partir do Havaí onde passa férias com sua família.

"A situação ainda é instável e a Rússia deve demonstrar seu compromisso para frear a violência e violação da soberania da Geórgia com ações, não só palavras", destacou Obama.

Ele reiterou o apoio às gestões diplomáticas de alto nível da União Européia (UE) para conseguir a aplicação imediata de um cessar-fogo entre Geórgia e Rússia.

Obama considerou que a resolução do conflito passa pela presença de observadores independentes que verifiquem a aplicação da trégua.

A Rússia "não deve utilizar este momento para consolidar uma posição que viola a integridade territorial da Geórgia ou que viola os direitos humanos do povo da Geórgia", destacou.

Sem dar detalhes, Obama recomendou que tanto os EUA quanto a UE revisem seus acordos bilaterais e multilaterais com a Rússia à luz de suas ações.

"A perda de vidas nos últimos dias foi trágica e não há vencedores neste conflito. Agora, temos que nos dedicar a conseguir uma paz duradoura na região", especificou.

Em declarações à Agência Efe, Frederick Kagan, analista do American Enterprise Institute, considerou que o conflito armado no Cáucaso demonstra a importância que terá a política externa na disputa eleitoral americana.

"Estas eleições girarão em torno da segurança nacional, não tanto sobre a economia. Aqui se determinará quem será o melhor comandante-em-chefe dos EUA no que me parece que é um momento muito difícil para o mundo", afirmou Kagan.

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