John McCain: o sobrevivente de guerra

O republicano John McCain, de 71 anos, pode se tornar o mais velho presidente eleito dos Estados Unidos.

Redação com agências internacionais |

O senador John McCain, que nasceu no dia 29 de agosto de 1936 no Canal do Panamá,  é acima de tudo um sobrevivente. Ele é o candidato à presidência pelo partido Republicano oito anos depois da primeira tentativa, e décadas depois de driblar a morte na guerra do Vietnã.

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McCain é recebido por Richard Nixon após ser libertado no Vietnã
McCain é recebido por Richard
Nixon após ser libertado no Vietnã
McCain, um homem que ri com a mesma facilidade com que se irrita, carrega no corpo as cicatrizes do conflito armado, em que foi piloto da Marinha, e das guerras políticas de Washington, das quais participa como senador pelo Arizona. Nunca alguém com a idade dele, 71 anos, foi eleito para um primeiro mandato presidencial nos EUA. McCain é também um sobrevivente do câncer: extraiu dois melanomas malignos em 2000.


Considerado um "falcão" em questões militares, um de seus pontos fortes, McCain foi presidente da Comissão de Serviços Armados do Senado quando os republicanos controlavam a Casa, até a eleição parlamentar de 2006, e atualmente é um dos líderes da bancada minoritária.

Apelidado por alguns colegas de "senador cabeça-quente", McCain pode perder as estribeiras facilmente, como ocorreu em maio, quando ele e o colega de bancada John Cornyn discutiram por causa de um projeto a respeito da imigração clandestina. "Vá se ...! Sei mais disso do que qualquer um nesta sala", teria gritado McCain a Cornyn.

O republicano também é conhecido por seu bom humor e conta piadas facilmente, mas se atrapalha com o teleprompter, algo que fez de seus grandes discursos um motivo para críticas vindas de especialistas e ativistas de seu partido.

No Senado, McCain defende a permanência das tropas dos EUA no Iraque e arriscou sua carreira política apostando que o conflito poderia ter resultado positivo para Washington. "Prefiro perder uma eleição a perder uma guerra", afirmou certa vez.

Entre as críticas que faz ao governo Bush, uma das maiores é em sua insistência contra a tortura a militantes capturados na "guerra ao terrorismo". Há muito de experiência própria nessa postura do senador, já que ele próprio foi torturado durante os cinco anos que passou no "Hanoi Hilton", o apelido irônico dado à celebre prisão para presos de guerra no Vietnã.


McCain tem grande desenvoltura no "corpo a corpo" com eleitores / Getty Images

Carreira

Antes de ser político, John McCain foi um destacado militar por 23 anos. O republicano se formou aviador na Academia Naval dos EUA em 1958 e aprendeu a pilotar aviões usados em porta-aviões. Durante a Guerra do Vietnã, McCain quase morreu no incêndio do porta-aviões USS Forrestal.

Mais tarde, ainda na Guerra do Vietnã, seu avião foi atingido e McCain foi capturado por tropas inimigas. Ele virou prisioneiro de guerra de 1967 a 1973 e, segundo relatos, sofreu tortura durante os anos na prisão. McCain se aposentou da Marinha em 1981, foi para o Arizona e entrou para a política.

A carreira política de McCain teve início em 1983, dez anos após ter sido libertado da prisão no Vietnã, quando se elegeu para o Congresso pelo Estado de Arizona. Concorreu ao Senado em 1986, também pelo Estado do Arizona, e conseguiu se reeleger em 1992, 1998 e 2002.

Em 2000, McCain concorreu nas primárias do Partido Republicano, mas perdeu para o atual presidente dos EUA, George W. Bush.


Foto tirada durante a Guerra do Vietnã, no momento em que McCain era resgatado e feito prisioneiro / Getty Images

Posições políticas

McCain já declarou diversas vezes que é contra a retirada de tropas do Iraque antes de uma vitória incontestável no país. Em fevereiro deste ano, provocou uma onda de críticas após afirmar que os EUA poderiam manter tropas no Iraque por "talvez 100 anos". Meses depois, previu que a maioria das tropas já terá retornado em janeiro de 2013, apesar de ter criticado várias vezes os democratas por desejarem estabelecer uma data para a retirada.

Como a maioria dos republicanos, McCain é contra a legalização do casamento homossexual e a legalização do aborto, com exceção dos casos de estupro, incesto ou para proteger a vida da mãe. McCain, no entanto, apóia o benefício legal para parceiros do mesmo sexo.

Assim como Obama, McCain também votou a favor da construção da cerca na fronteira entre os Estados Unidos e México e é a favor de maiores restrições para conter a imigração ilegal no país.

Frases


John McCain discursa em evento de campanha / Getty Images

"Eu peço ao governo chinês que liberte os prisioneiros políticos tibetanos, considerando os tibetanos que 'desapareceram' desde os protestos de março, e se empenhe em um diálogo significativo e uma autonomia genuína para o Tibete" -- julho de 2008, após encontro com Dalai Lama

"Os americanos estão muito frustrados, e têm todo o direito de estar. Nós perdemos muito de nosso mais precioso tesouro, que são as vidas americanas perdidas no Iraque" -- Fevereiro de 2007, ao anunciar a candidatura à presidência

"Essas sociedades contam-se entre as mais opressoras e estagnadas da Terra. E são controladas por ricas elites do petróleo que não durariam muito se seu próprio povo tivesse a chance de se manifestar" -- junho de 2008, ao criticar países do Oriente Médio

"Caso vocês tenham perdido, dias atrás a senadora Hillary Clintou tentou gastar US$ 1 milhão em um museu para o show de Woodstok. Agora, senhoras e senhoras, eu não estava lá. Tenho certeza que foi um evento cultural e 'farmacêutico'. Eu estava amarrado na época" -- Outubro de 2007, ao ironizar um projeto da senadora Hillary Clinton

"Obrigado pela pergunta, pirralho" -- Setembro de 2007, ao responder a um estudante se ele era muito velho para ser candidato ( assista )

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* Com AP, AFP, EFE e Reuters

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