Iraquianos têm dúvidas sobre mudanças prometidas por Obama

Os iraquianos têm dúvidas sobre a capacidade de o candidato democrata à presidência americana Barack Obama, que chegou a Bagdá nesta segunda-feira, mudar seu destino.

AFP |

Os jornais da capital iraquiana sequer mencionaram a vinda do senador negro de Illinois.

A televisão estatal também não evocou a viagem de Obama, que veio do Kuwait após uma escala no Afeganistão, país que qualificou de "frente da guerra contra o terrorismo".

Preocupados apenas em sobreviver em um país abalado por uma ditadura mortífera, anos de sanções internacionais e uma ocupação estrangeira, os iraquianos não se iludem sobre o impacto de uma mudança de política americana.

Contrário à invasão de março de 2003, o candidato democrata prometeu retirar o contingente americano dentro de um prazo máximo de 16 meses após sua chegada à Casa Branca, em janeiro de 2009, se for eleito em novembro.

"A política americana não vai mudar com a troca de presidente", sustentou Abu Ali, 43 anos, que vende cigarros no imenso bairro xiita de Sadr City, palco de combates sangrentos entre milicianos e tropas americanas.

"Os chefes militares têm seus próprios planos e políticas, e não acho que o presidente americano possa mudar suas decisões", prosseguiu.

O senador democrata também afirmou que não pretende manter bases no Iraque, mas que estuda deixar uma força "mínima" no país árabe para treinar o Exército iraquiano e combater elementos da rede Al-Qaeda.

Gafur Rachid, um professor curdo de 45 anos, também pensa que a mudança de presidente nos Estados Unidos terá pouca influência.

"A política da América não mudará", garantiu Rachid, morador da cidade de Kirkuk, ao norte de Bagdá.

"Não acho que um presidente americano possa retirar as tropas americanas do Iraque, porque a América atua para proteger seus interesses na região", acrescentou.

Para muitos iraquianos, a campanha militar - que custou mais de 500 bilhões de dólares aos contribuintes americanos - foi motivada pelo desejo dos Estados Unidos de controlar as imensas reservas de petróleo iraquianas.

"Obama terá um papel crucial para defender a segurança do Iraque contra as potências regionais que ameaçam os interesses dos Estados Unidos na região", declarou o professor curdo.

O governo do presidente George W. Bush sempre considerou que o Irã exercia uma influência nefasta sobre a estabilidade do Iraque, mas Obama afirmou seu desejo de iniciar um diálogo com Teerã.

Para Namir Ali, 30 anos, morador da cidade santa xiita de Najaf, "Obama será um bom presidente para a América, e terá a capacidade de implementar mudanças".

"Porém, cabe ao governo iraquiano, e não a Obama, garantir a segurança do Iraque", ressaltou. "As principais orientações da política externa da América estão fora do controle de Obama", considerou Ali.

Alguns iraquianos são menos cépticos, como Khalaf Marhoon, 57 anos, que vive perto de Kirkuk. "A vitória de Obama mudará o rosto dos arquitetos da guerra. Confio mais nele que no outro candidato, desde que ele anunciou uma retirada americana do Iraque", declarou.

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