Indiana vira o próximo Estado-chave na corrida eleitoral democrata

WASHINGTON - A corrida pela candidatura democrata à presidência dos Estados Unidos já tem um novo Estado decisivo, o de Indiana, cujas primárias acontecerão em 6 de maio e onde a senadora por Nova York Hillary Clinton voltará a ter de provar sua força política.

EFE |

Há meses, as prévias do partido vêm sendo consideradas cruciais para a definição de qual dos dois pré-candidatos democratas enfrentarão o republicano John McCain em novembro, quando acontecem as eleições.

No entanto, até agora, nenhuma das primárias conseguiu realmente definir os rumos da campanha dentro do Partido Democrata, o que, diante do fim cada vez mais próximo das votações, pode acabar acontecendo em Indiana, algo do que os assessores da ex-primeira-dama já parecem estar a par.

"Praticamente todo mundo na campanha concorda que ela tinha que ganhar na Pensilvânia e (têm de vencer) em Indiana", disse um assessor de Hillary à edição de hoje do jornal "The New York Times".

E não é só isso. Vários assessores da senadora - que preferiram não se identificar - afirmaram ao "NY Times" que recomendarão a ela que desista da corrida eleitoral caso não vença no próximo dia 6.

Indiana fica na divisa com Illinois, estado pelo qual Obama se elegeu senador, o que pode favorecê-lo na disputa. Porém, a unidade federativa tem uma grande classe branca operária, a mesma que ajudou Hillary a vencer na Pensilvânia e que também a apoiou em estados como o de Ohio.

Corrida disputada

James McCann, professor de Ciências Políticas da Universidade de Purdue (Indiana), reconhece que a disputa entre os dois está muito acirrada.

"Se tivesse que apostar, apostaria em Obama, mas não apostaria muito", brincou McCann, que explicou à Agência Efe que a região noroeste do estado, próxima a Chicago, deve apoiar o senador negro, que desenvolveu sua carreira política nessa cidade de Illinois.

Bem diferente é a situação no sul de Indiana, onde os eleitores democratas são mais tradicionais e a classe operária que Hillary soube cortejar é bem numerosa.

De qualquer forma, os dois pré-candidatos precisarão se preparar, haja vista que uma média de várias pesquisas feitas em Indiana entre o fim de março e meados de abril aponta ambos estão em posições praticamente empatados, tendo Hillary 46% das intenções de voto e Obama, 43,8%.

Os analistas lembram que a vitória da senadora na Pensilvânia por uma vantagem de 10 pontos percentuais, segundo dados preliminares, ressalta os problemas de Obama para atrair eleitores que tradicionalmente foram parte da base democrata.

O senador já conseguiu o apoio majoritário de afro-americanos, estudantes, eleitores jovens, democratas não religiosos e republicanos descontentes, mas não foi capaz de convencer a classe operária os democratas de mais idade, as mulheres, os católicos e os moderados, que preferem Hillary.

Com 158 delegados, a Pensilvânia era o estado mais importante daqueles com primárias pendentes. Para Hillary, os resultados de ontem à noite confirmam que seu adversário não é capaz de ganhar em grandes estados, que deverão ser fundamentais em novembro.

Matematicamente, é quase impossível que a senadora por Nova York consiga superar Obama em relação ao número de delegados, já que o senador afro-americano tem 154 a mais, segundo a última apuração da "NYT".

Ainda assim, Hillary tentará reduzir ao máximo essa vantagem nas nove primárias restantes, para poder ter como argumento junto à elite do partido - que provavelmente será quem vai definir o candidato - que ela é a que tem mais chances de derrotar John McCain nas urnas.

Obama, enquanto isso, se prepara para enfrentar sua adversária com os cofres de campanha abarrotados.

O senador arrecadou US$ 42 milhões em março, frente aos US$ 21 milhões angariados por Hillary, que hoje assegurou ter recebido US$ 3 milhões em doações através da internet após a vitória desta terça-feira.

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