Imprensa americana critica discurso de aceitação de McCain

WASHINGTON - A imprensa dos Estados Unidos destacou hoje o difícil equilíbrio que o candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, John McCain, deve alcançar nesta campanha eleitoral, na qual precisa cortejar, ao mesmo tempo, os seguidores de sempre e a ala mais conservadora do partido. Seu discurso de aceitação da candidatura não refletiu este dilema e, por exemplo, o jornal The New York Times questiona hoje qual é o verdadeiro John McCain.

EFE |

No discurso de quinta-feira, diz o periódico, "os americanos puderam ver o autêntico John McCain falando de sua experiência no Vietnã, dizendo que os republicanos 'perderam a confiança' (do eleitorado) e assegurando que ele a recuperará".

No entanto, "também houve brilhos de um novo John McCain, que questionou o patriotismo de seus adversários e lançou uma lista de falsas acusações sobre as propostas do candidato democrata, Barack Obama". O jornal lamenta que McCain não tenha feito referência, em seu discurso, à reforma migratória ou ao aquecimento global, os quais descreve como "dois dos temas principais de sua campanha, antes de girar à direita para ganhar a indicação do partido".

"Não podemos explicar as grandes diferenças entre o John McCain de quinta-feira e o que se tornou desdenhoso e zombador", algo que, segundo o periódico, é "irritante e cínico" exatamente porque "foi a tática usada pelo atual presidente, George W. Bush, para destruir a candidatura de McCain nas primárias de 2000".


Discurso de McCain foi criticado pela imprensa americana / AP

O "The Washington Post" dedica seu editorial a analisar o discurso e afirma que McCain enfrenta a "incomum situação" de se distanciar do presidente ao qual quer substituir e de parte do partido do qual aceitou a nomeação.

O jornal afirma que o candidato republicano ofereceu diferentes razões que as alegadas há 17 meses para apresentar sua candidatura.

McCain "reformulou sua mensagem", afirma o periódico, que critica o aspirante por ter tratado de temas como o conflito no Iraque "só superficialmente ".

Por sua vez, o "The Washington Times" centra a atenção na candidata à vice-presidência, Sarah Palin, e em uma pesquisa do instituto Gallup que afirma que, com sua escolha, McCain teve uma ligeira ascensão nas intenções de voto feminino, que passou de 44% para 48%.

O "The Wall Street Journal" dedica hoje seus dois editoriais à convenção republicana. Um, intitulado "A Mudança de McCain", e outro a Palin, governadora do Alasca.

"John McCain saboreou ontem (quinta-feira) o triunfo de garantir a nomeação republicana para a presidência, apesar de ter o azar de ganhá-la em um ano no qual o partido está nos momentos mais baixos desde a era do Watergate", afirma.

Com estas perspectivas, McCain "seria um perdedor", mas "ainda é um formidável adversário", destaca o jornal, "em parte pela fraqueza de seus oponentes, embora também porque pode dar credibilidade à mudança que proclama dentro do parido".

"Se a eleição se baseasse só nos méritos biográficos e na segurança nacional, McCain ganharia", considera o periódico, que ressalta sua experiência como militar, elogia seus valores pessoais e sua visão sobre o conflito no Iraque e a recente crise na Geórgia.

Além disso, insiste em que McCain começou a armar a mudança com a escolha de sua companheira política, Sara Palin, e desenhou uma agenda política "capaz de sacudir o status quo" de Washington.

"Se McCain vencer, temos certeza de que não será um terceiro mandato de George W. Bush", afirma o jornal.

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