Hip-Hop pode ser bênção ou maldição para Barack Obama

O candidato à presidência dos Estados Unidos Barack Obama escuta hip-hop, conhece vários dos grandes representantes do gênero, como Jay-Z, Russell Simmons e o rapper Ludacris, admira a perspicácia dos artistas para negócios e foi endossado por eles.

Reuters |


Esse apoio pode ser uma bênção para o candidato democrata de 47 anos em seu esforço para seduzir o eleitorado jovem.

Ou pode ser uma maldição, se a conexão com a imagem gângster do hip-hop for usada como munição por apoiadores do rival republicano John McCain.

"A imagem pública do hip-hop faz disso uma batata quente", disse Bakari Kitwana, da área de Estudo de Raça, Política e Cultura da Universidade de Chicago. "As pessoas não sabem do que se trata, então relacionam com híper sexualidade, violência e com a cultura das drogas."

"Os direitistas podem sempre dizer que isso não representa valores familiares e podem então fazer essas associações negativas com o hip-hop e colocar Barack, ou qualquer outra candidato, em uma posição de defesa", disse Kitwana, que publicará livro em setembro sobre a organização de um bloco de eleitores do hip-hop.

A música hip-hop surgiu na região sul do bairrodo Bronx, em Nova York, nos anos 1970 e se tornou uma indústria bilionária com um apelo massivo que vai além de suas raízes negra e hispânica.

Ativistas definem a chamada "geração hip-hop" como americanos que têm hoje entre 18 e 29 anos. Não há dados sobre como os milhões desses eleitores se identificam com o hip-hop.

Uma sondagem feita pelo grupo bipartidário "Rock the Vote" revelou que 47% dos eleitores jovens apóiam Obama e 28% apóiam McCain, de 71 anos. Ativistas do hip-hop acreditam que a maioria da "geração hip-hop" apóia Obama.

Incômodo

Obama, que pode se tornar o primeiro presidente norte-americano negro, já criticou algumas canções do hip-hop.

"Eu me incomodo às vezes com a misoginia e o materialismo de várias letras de rap, mas eu acho que a genialidade da forma artística mudou a cultura e ajudou a desagregar a música", ele disse à revista Rolling Stones.

Ele se distanciou recentemente de uma canção do Ludacris que execrava a ex-rival democrata de Obama Hillary Clinton, McCain e o presidente George W. Bush. A canção chama Clinton de "cadela", diz que McCain não pertence "a nenhuma cadeira a não ser que esteja paralítico" e chama Bush de "deficiente mental".

A campanha de Obama disse que "Ludacris deveria estar envergonhado dessas letras". A campanha de McCain não quis comentar o assunto.

"O hip-hop é uma celebração não apenas do que está certo, mas do que está errado na sociedade", disse Benjamin Chavis, chairman da rede Hip-Hop Summit Action. Para ele, muitas vezes artistas como Ludacris ajudam a descortinar um debate sobre as contradições da sociedade americana.

De acordo com Chavis, com a candidatura de Obama "tudo indica que as eleições de 2008 provavelmente terão a maior participação de jovens, a maior participação de eleitores do hip-hop na história dos EUA".

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