Guerra do Iraque reaparece na campanha presidencial americana

A guerra no Iraque ressurgiu de maneira inesperada na campanha presidencial americana, com a exibição de propagandas do Partido Democrata que criticam palavras do republicano John McCain sobre manter os soldados americanos por 100 anos no Iraque.

AFP |

O anúncio de televisão de 30 segundos provocou revolta no Partido Republicano, que exigiu às emissoras o fim de sua exibição. Disponível na internet, o anúncio polêmico foi visto por quase 200.000 pessoas quarta-feira no YouTube.

Visivelmente preocupado, o presidente do Partido Republicano, Robert Duncan, apelou à "responsabilidade" dos proprietários de canais de televisão para evitar a difusão da propaganda e denunciou "ataques evidentemente infundados" contra o senador de Arizona.

A peça de propaganda começa com um diálogo entre uma pessoa não identificada e McCain durante uma reunião em janeiro passado. "O presidente (George W.) Bush falou de ficarmos 50 anos no Iraque", diz o homem. "Podem ser 100 anos. Eu cuidaria disto", responde McCain.

E a propaganda prossegue mostrando imagens da violência no Iraque com palavras sobrepostas: "Cinco anos" (duração atual do conflito), 500 bilhões de dólares (custo da guerra), "Mais de 4.000 mortos" (americanos).

A guerra no Iraque é atualmente muito impopular nos Estados Unidos e é freqüentemente associada, segundo as pesquisas, aos republicanos.

Há cinco anos, no dia 1º de maio de 2003, o presidente Bush anunciou o fim das principais operações de combate no Iraque, em um porta-aviões, à frente de uma grande faixa com as palavras "Missão Cumprida".

Cinco anos mais tarde, quase 150.000 soldados americanos permanecem no Iraque, onde combatem todos os dias, sem perspectiva clara de retirada. Em abril morreram 50 oficiais, o maior número de baixas americanas desde setembro de 2007.

McCain é o único candidato para as presidenciais de novembro que concorda com o prosseguimento da guerra no Iraque, sem propor um plano de retirada das tropas.

Porém, os republicanos afirmaram que McCain jamais falou de uma guerra de 100 anos, e sim que apóia uma presença militar americana no Iraque como a que aconteceu na Alemanha ou Japão depois da Segunda Guerra Mundial.

O presidente do Partido Democrata, Howard Dean, respondeu que a propaganda não modifica as palavras de McCain.

"Quem pode acreditar que se mantivermos nossos soldados por 100 anos no Iraque, não serão atacados, vítimas de atentados com bombas ou agrediros pelas milícias?", questinou.

"O que McCain diz não teme sentido. Não podemos ficar no Iraque por 100 anos", completou.

A polêmica pode aumentar. A organização de esquerda MoveOn anunciou que divulgará um novo anúncio similar, no qual ao fim aparecem Bush e McCain abraçados com a voz de um locutor afirmando: "Cem anos de guerra no Iraque? E pensaram que não podia existir pessoa pior que George W. Bush".

aje/fp

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