O candidato republicano à presidência dos Estados Unidos, John McCain, reconheceu a derrota para o democrata Barack Obama na eleição presidencial dos Estados Unidos. Em um telefonema, feito por volta das 2h desta quarta-feira, McCain parabenizou o seu adversário.


AFP
McCain reconhece derrota nas eleições para presidente dos EUA
McCain reconhece derrota nas eleições para presidente dos EUA

À população, em um rápido discurso feito no Arizona, McCain agradeceu o apoio dos eleitores americanos e pediu que todos ajudem Obama a construir um país melhor. "Não importa quais sejam as nossas diferenças, somos todos americanos, e nenhuma associação é mais importante do que essa", afirmou.

McCain disse que um sentimento de decepção, nesse momento, é natural, mas que amanhã o país precisa estar unido novamente. "Lutamos o máximo que pudemos, e se não conseguimos o que queríamos, o fracasso é meu e não de vocês", disse o republicano, para em seguida ouvir o público presente gritar seu nome repetidas vezes.

O senador fez o discurso ao lado da mulher, Cindy, de sua candidata a vice, Sarah Palin, e do marido dela. Palin ficou com lágrimas nos olhos quando McCain agradeceu o seu apoio e a chamou de "uma nova e impressionante voz" do Partido Republicano.

Para encerrar o discurso, McCain afirmou que não leva arrependimentos e, sim, gratidão pela experiência de concorrer à presidência. Em seguida, pediu que a população "sempre acredite na grandeza da América". "Americanos nunca desistem e nunca se entregam", disse o republicano. "Nós não nos escondemos da história, nós fazemos história."

Campanha difícil

AFP
Palin ao lado de McCain durante discurso
Palin ao lado de McCain durante discurso
Experiente senador do Arizona, John McCain se tornou o candidato republicano à presidência depois de vencer com folga as primárias do partido. Se tivesse vencido as eleições, teria se tornado o homem mais velho a assumir o cargo de presidente do país, aos 72 anos.

No Senado há mais de duas décadas, McCain não conseguiu consolidar a liderança que era creditada a ele em algumas pesquisas de intenção de voto divulgadas no início da campanha. Na reta final, atrás nas pesquisas, intensificou os ataques e tentou vincular a figura de Obama a terroristas, palestinos e líderes comunistas.

Os ataques não foram suficientes para reverter a vantagem do democrata, que a partir de setembro passou a contar com um cabo eleitoral de peso: a crise financeira americana. Depois do agravamento das turbulências econômicas, McCain não apareceu à frente de Obama em nenhuma pesquisa de intenção de voto.

O republicano se esforçou para mostrar sua preocupação com a situação econômica, tendo inclusive suspendido a campanha temporariamente para dedicar-se à aprovação do plano de resgate econômico proposto pelo governo federal. McCain abandonou os palanques e partiu para Washington onde se reuniu com o presidente Bush (juntamente com Barack Obama e outros congressistas) e com partidários republicanos a fim de lutar pela aprovação do pacote.

A suspensão inesperada colocou em risco o primeiro debate presidencial que ocorreria dois dias depois, em 26 de setembro. Até o último momento, a presença de McCain foi incerta. Mas o republicano não faltou ao compromisso e enfrentou Obama pela primeira vez, em Oxford, no Mississippi. Na ocasião, o democrata creditou a crise financeira às políticas equivocadas de George W. Bush e afirmou que, com McCain no poder, o cenário seria de continuidade, e não de mudança.

A surpresa "Sarah Palin"

No dia 29 de agosto McCain anunciou quem seria o candidato à vice-presidência do Partido Republicano. Para a surpresa de muitos, o nome anunciado foi de Sarah Palin, governadora do Alasca e uma figura relativamente desconhecida do cenário político nacional.

A escolha foi vista como uma tentativa de conquistar o eleitorado feminino que viu na derrota de Hillary Clinton, nas primárias democratas, um motivo para não votar nos democratas, além de conferir uma imagem mais "jovem" à chapa republicana.

Palin chamou a atenção da mídia e do público, tornando-se uma espécie de fenômeno. Porém, também foi criticada por sua inexperiência e por estar envolvida em um processo de abuso de poder. O fato de os republicanos terem gasto US$ 150 mil para renovar o guarda-roupa da governadora também causou polêmica.

A campanha republicana

Entenda

Opinião

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