Favoritismo de Obama e tensão republicana marcam reta final da eleição

Teresa Bouza. Washington, 28 out (EFE).- A campanha pela Casa Branca entrou hoje em sua última semana, com os democratas colhendo frutos de uma pressagiada vitória e os republicanos envolvidos em tensões internas e com a tentativa final de derrubar seus adversários.

EFE |

Enquanto isso, a notícia de que as autoridades desmantelaram um complô para assassinar o candidato presidencial democrata, Barack Obama, desapareceu rapidamente da mídia americana, no que parece mostrar que os Estados Unidos não deram grande importância ao incidente.

Obama, por sua vez, segue na frente nas pesquisas tanto em nível nacional como em alguns dos estados que o candidato presidencial republicano, John McCain, precisa conquistar para vencer as eleições, como Ohio e Virgínia.

Segundo o diário "The Wall Street Journal", o democrata tem praticamente assegurados 259 dos 270 votos do colégio eleitoral necessários para levá-lo à Presidência no próximo dia 4 de novembro.

Vitórias em estados como Ohio e Virgínia permitiriam ao senador pelo estado de Illinóis carimbar a passagem para a Casa Branca.

O sistema eleitoral americano dá um número de votos a cada estado em função de seu tamanho e população, o que acaba sendo decisivo no Colégio Eleitoral, órgão que finalmente elege o presidente dos EUA.

Com pouquíssimas exceções, quem vence em um estado leva todos os votos e, para conseguir a Presidência, é necessária a maioria simples dos 538 totais do Colégio Eleitoral, ou seja, 270.

Grande parte da imprensa coloca Obama a um passo dos 270 ou até acima da marca, caso se incluam os estados que não são solidamente democratas, mas que se inclinam claramente pelo senador. Entre eles, figuram os já citados Ohio e Virgínia, e também Colorado e Novo México.

Fora isso, vários analistas como Charlie Cook, autor do Cook Politial Report, prevêem que os republicanos podem perder sete cadeiras no Senado e pelo menos 20 na Câmara dos Representantes.

Hoje, há 49 senadores republicanos, outros vários democratas e um independente que costuma votar em democratas.

O partido de Obama já possui maioria na Câmara dos Representantes, o que pode ser ampliado após novembro.

Com esses dados sobre a mesa, os dois candidatos se dirigiram hoje para a Pensilvânia, um estado que, segundo as pesquisas, tem preferência neste ano pelos democratas, mas onde os republicanos já disseram que estão na disputa.

Durante sua passagem pelo estado, no nordeste do país, McCain disse precisar da Pensilvânia "para ganhar em 4 de novembro", se apresentou como o candidato melhor preparado para a Presidência e reiterou que Obama se dedicaria a elevar os impostos e a "redistribuir a riqueza", em vez de criá-la.

Os ataques em política fiscal dominam a estratégia republicana na reta final da campanha.

Obama insiste em que só aumentará a carga fiscal da população que ganha mais de US$ 250 mil, embora os republicanos reiterem que é impossível que ele possa cumprir seu programa a menos que suba os impostos.

O democrata disse hoje na Pensilvânia que recortará os impostos para "95% dos trabalhadores e suas famílias".

Obama voltou também a vincular McCain com as políticas fracassadas do atual e impopular presidente americano, George W.

Bush.

"Meu rival está tentando se distanciar do presidente que o apoiou em 90% das vezes", disse Obama.

Em meio à troca de acusações sobre economia, que nesta reta final parece dominar os discursos dos candidatos, a mídia americana fala de uma certa tensão nas fileiras republicanas.

A rede de televisão "ABC" faz referência em seu site à existência de divisões na "desmoralizada" campanha de McCain.

A "ABC" foi a último a confirmar que existem desavenças entre a candidata à Vice-Presidência republicana, Sarah Palin, e os assessores de McCain.

Segundo a rede de TV americana, muitos dos empregados da campanha já começaram a enviar seus currículos e a buscar fatos que justifiquem o enfraquecimento da campanha.

Já analistas como Cook tentam pôr as coisas em perspectiva, ao lembrar que o ambiente atual é um " tóxico" para os republicanos e destacar que, mesmo se a madre Teresa de Calcutá tivesse concorrido ao lado de McCain, não conseguiria mudar a situação. EFE tb/rr

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