EUA descartam ameaça da Al-Qaeda contra eleições

WASHINGTON - A Al-Qaeda não demonstra intenção de atacar os Estados Unidos durante a eleição presidencial, mas o governo precisa estar atento durante os dois meses e meio de transição, disse na noite de quinta-feira à Reuters o secretário de Segurança Doméstica dos EUA, Michael Chertoff.

Reuters |

Ele acrescentou que, ao menos por enquanto, a turbulência econômica global não provoca mudanças visíveis na estratégia da Al-Qaeda, mas que a crise financeira pode reduzir os gastos de Estados e municípios em segurança.

O secretário também alertou contra a retórica política acalorada "num momento dissoluto", o que poderia provocar violência entre norte-americanos.

"Não tenho visto evidências de que um elemento importante do planejamento da Al-Qaeda sejam nossos aniversários ou nossas eleições", disse Chertoff. "Operações terroristas são realizadas quando estão operacionalmente prontas. Eles não esperam algo que seja um fato externo, e não as apressam."

Já no período de transição entre governos, segundo ele, "enquanto as pessoas saem e novas pessoas entram, é da natureza humana haver alguma distração, e portanto é importante estar extra-focado durante esse período, para que a distração não se torne uma vulnerabilidade." O novo presidente toma posse em 20 de janeiro.

Alerta

A Al-Qaeda já realizou atentados em épocas eleitorais na Espanha, na Grã-Bretanha e no Paquistão, levando alguns especialistas a alertarem os EUA contra possíveis ataques na reta final para a votação de 4 de novembro.

"Os dias restantes para a eleição devem ser vistos como uma época de alta ameaça", disseram William Bratton, comissário de polícia de Los Angeles, e R.P. Eddy, ex-integrante do Conselho de Segurança Nacional, em artigo publicado na quarta-feira no jornal New York Daily News.

No final de outubro de 2004, poucos dias antes da reeleição do presidente George W. Bush, o líder da Al-Qaeda, Osama bin Laden, divulgou um vídeo que foi entendido na época como uma tentativa de influenciar a votação. O então candidato democrata, John Kerry, disse que a mensagem foi decisiva em sua derrota.

Chertoff não descartou a possibilidade de a Al-Qaeda divulgar declarações pré-eleitorais, mas disse: "Não vejo uma eleição, ou um marco desse tipo, como sendo um indicador por si só significativo."

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