Entenda por que há tanta diferença nos resultados das pesquisas nos EUA

INDIANAPOLIS - Semanalmente, dezenas de pesquisas de intenção de voto à presidência dos Estados Unidos são divulgadas. Ao invés de facilitar, esses levantamentos confudem os eleitores por causa da grande diferença entre os resultados de cada órgão. Cada instituto de pesquisa tem uma metodologia diferente e isso causa disparidades, afirmou Janine Parry, professora do departamento de Ciências Políticas da Universidade do Arkansas e especializada em pesquisas de intenção de votos.

Leandro Meireles Pinto, repórter do iG nos EUA |

Na eleição deste ano nos Estados Unidos, existem nove grandes insitutos e uma dezena de outras instituições menores que fazem pesquisas de intenções de voto em todo o país. Cada uma realiza a pesquisa de forma diferente e isso afeta diretamente no resultado final. "Nós devemos prestar atenção nos grandes órgãos, como Gallup, Zogby, e nas pesquisas especiais conduzidas por redes de notícias. Esses levantamentos tendem a ter uma amostra de eleitores muito maior e o resultado é mais fiel à realidade", afirmou Janine. Segundo a professora, institutos menores têm amostragem pequena de eleitores e a metodologia usada nas perguntas "muitas vezes não é confiável".

Em entrevista ao Último Segundo, Janine explicou que três fatores afetam diretamente o resultado de uma pesquisa eleitoral. O primeiro, e mais comum, é a margem de erro. "Se em um levantamento o candidato aparece com 49% e em outro com 54% e a margem de erro é de 3 pontos, então as duas pesquisas estão na mesma faixa. O problema é que ver esse cenário é frustrante para os eleitores, que ficam sem saber em que posição exata está o candidato", disse.

O segundo fator que influencia, segundo a professora, é o corte demográfico usado pelos institutos. Cada instituto tem seu guia para escolher as pessoas que serão pesquisadas e, algumas vezes, a escolha não representa todos os aspectos da população norte-americana. "Alguns órgãos não atualizaram seus métodos de escolha e a demografia dos Estados Unidos mudou muito nos últimos anos. Não há padronização das pessoas pesquisadas e isso causa grande diferença nos resultados", afirmou Janine Parry.

Por último, o fator que mais gera distorções entre os resultados dos levantamentos é o método usado pelos pesquisadores na hora de fazer as perguntas. Como nos Estados Unidos o voto não é obrigatório, a maioria das pesquisas leva em consideração apenas as repostas dos eleitores que afirmaram que vão às urnas. "Cada pesquisador faz uma série de perguntas preliminares para determinar se aquela pessoa é eleitora ou não. Esses padrões também mudam de instituto para instituto", disse a professora.

Além disso, Janine explicou também que alguns órgãos só fazem entrevistas por telefone, outros fazem entrevistas ao vivo e outros online. "Só o fato de uma pesquisa não ligar para telefones celulares e a outra ligar já causa diferença na faixa etária das pessoas pesquisadas", explicou.

Pesquisa nacional x pesquisa estadual

Nos Estados Unidos, o presidente não é eleito pelo voto popular, mas sim por um Colégio Eleitoral. Cada Estado envia um certo número de eleitores para o colégio, baseado no tamanho da sua população. Em praticamente todos os Estados, o vencedor do voto popular fica com todos os votos do Colégio Eleitoral estadual. "É bom deixar claro que as pesquisas nacionais não dizem muito sobre a realidade da eleição. O que importa são as pesquisas estaduais, que mostram a situação dos candidatos em cada região", afirma a professora.

Estados importantes para a disputa, como a Flórida, Ohio e Pensilvânia, têm pesquisas diárias sobre a opinião do eleitorado. "É com base nesses levantamentos que as campanhas definem onde devem fazer mais comícios e investir mais verba", disse Janine. Segundo a professora, as pesquisas estaduais têm menos diferenças entre os resultados. "É mais fácil acertar o corte demográfico de um Estado e o número de pesquisados não precisa ser tão grande", explica.

Mas, para você não ficar confuso com todas as pesquisas, a professora recomenda que se faça uma média entre todos os levantamentos. "Os estatísticos não gostam muito, mas o ideal é fazer uma 'pesquisa da pesquisa', como os sites Real Clear Politics e 538.com para saber com mais exatidão a diferença entre os candidatos", explicou.

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