Entenda como funciona o processo eleitoral norte-americano

As eleições nos Estados Unidos são bem diferentes das brasileiras. O voto não é obrigatório e a escolha do presidente acontece de forma indireta. Existem dois partidos majoritários e cada um decide seu concorrente em uma eleição prévia entre os pré-candidatos. Além disso, devido à constituição federalista do país, os 50 Estados têm autonomia para decidir detalhes sobre a votação e que tipo de primária adotar.

Lucas Dantas e Luiz Raatz, do Último Segundo |

A eleição presidencial na prática consiste em 50 eleições simultâneas. Cada Estado escolhe seu candidato. O voto de cada eleitor não é contado em uma eleição direta, mas sim para definir uma comissão de delegados que representará a decisão do Estado no colégio eleitoral. Lá acontece a finalíssima da eleição.

Quanto mais populoso o Estado, mais votos ele tem no colégio eleitoral.  Ao todo são 540 votos.  Para vencer a eleição indireta, o candidato precisa de 50% mais um dos delegados.

Em duas ocasiões a decisão do Colégio Eleitoral foi diferente do visto nas urnas. A mais recente delas foi em 2000, quando George W. Bush obteve 47,87% dos votos contra 48,38% do candidato democrata, Al Gore. Isso aconteceu porque o republicano venceu na Flórida, o que lhe deu vantagem no colégio eleitoral.

Na última eleição, 142,072 milhões de eleitores se registraram para votar.  O país tem cerca de 300 milhões de habitantes.

As primárias

A disputa pelo cargo máximo da nação mais poderosa do mundo está marcada para o dia 4 de novembro de 2008. Mas a corrida eleitoral nos Estados Unidos começou bem mais cedo, com as eleições primárias, que definem o candidato de cada partido na corrida presidencial. A primeira delas foi no dia 3 de janeiro, no estado de Iowa. Este ano, foram oito pré-candidatos democratas e oito republicanos, que foram desistindo pelo caminho, restando apenas um de cada partido.

Ao contrário do Brasil, os partidos norte-americanos submetem a escolha do candidato ao eleitor. Para isso, as duas legendas fazem uma série de votações estaduais. Conforme o tamanho da população de cada Estado, este envia um determinado número de delegados à convenção nacional do partido, em que o nome da legenda é ratificado. Os democratas elegerão 3445 delegados e os republicanos, 2454.

Calendário

Em 2008, as eleições primárias começaram mais cedo. Os pré-candidatos se enfrentaram durante as prévias, processo, apenas os eleitores de cada partido participam da escolha. A disputa democrata se encerrou no dia 3 de junho, nas prévias de Dakota do Sul e Montana, com a vitória do senador Barack Obama sobre a senadora Hillary Clinton. Os republicanos ainda realizam uma primária em Nebraska, embora o candidato John Mccain seja o único na disputa. 

A convenção democrata, marcada para 25 de agosto, vai durar quatro dias. A reunião republicana começará no dia 1º de setembro, em Saint Paul, Minnesota e termina no dia 5. 

Escolhidos, os dois oponentes saem em campanha até o começo de novembro. A população norte-americana vai às urnas no dia 4.

A escolha do Colégio Eleitoral será em 15 de dezembro. O vencedor toma posse no dia 20 de janeiro de 2009.

Tipos de prévias

Existem três tipos de primárias: abertas, fechadas e as livres, além do caucus, que é uma outra espécie de prévia. Cada Estado é livre para optar pelo processo de seu interesse.

Fechadas

Nas primárias fechadas participam todos os eleitores que declararam sua filiação através de um documento oficial, demonstrando que votaram no partido nas últimas eleições e que mantêm a intenção de votar no mesmo.

Abertas

São as primárias que possibilitam a maior participação do eleitorado. Os eleitores do estado, independentemente de sua filiação partidária, podem participar de qualquer primária, mas não das duas ao mesmo tempo.

Livres

Não são mais usadas, exceto em Louisiana. O sistema permite que o eleitor vote em quem desejar independentemente do partido do candidato.

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