Enquanto McCain cresce nas pesquisas, Obama adota postura mais agressiva

O candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, adotou um tom mais agressivo nos últimos dias, em meio a uma viagem que continua hoje na Virgínia, centrada principalmente na economia.

EFE |

A mudança de estratégia ocorre às vésperas da Convenção Democrata que acontecerá na próxima segunda-feira em Denver, no Colorado, e coincide com a publicação de várias enquetes que mostram um empate técnico entre Obama e seu adversário, o republicano John McCain.

Em uma dessas pesquisas, divulgada na quarta-feira pelo centro Zogby, McCain aparece pela primeira vez na frente, com uma vantagem de cinco pontos percentuais sobre Obama.

O "Wall Street Journal" qualifica hoje de "admirável" a proeza de McCain, que acabou com a brecha de entre seis e oito pontos percentuais que o separavam de Obama em julho, apesar do ambiente hostil para os republicanos, que lidam com o obstáculo da impopularidade de George W. Bush e da desaceleração econômica.

A economia é, de fato, o tema que mais preocupa os eleitores americanos e, tradicionalmente, o partido do presidente de um país em crise costuma sair prejudicado nas eleições.

Essa tendência é percebida em uma enquete conjunta do jornal "The New York Times" e da rede de televisão "CBS" divulgada hoje, na qual a maioria dos eleitores (65%) diz crer que Obama seria um melhor gestor econômico que McCain.

Obama tentou se aproveitar disso esta semana, com a maioria de seus atos de campanha centrados nas dificuldades econômicas enfrentadas pelo cidadão americano.

Na segunda-feira, ele afirmou que a economia está em uma situação "desastrosa", graças ao "presidente de McCain, George W. Bush".

Ontem, prometeu na Virgínia que criará milhões de postos de trabalho no setor de energias renováveis e disse que acabará com as vantagens fiscais das companhias que transferem suas operações para fora do país.

"O povo sente que o sonho americano está ficando distante", disse durante um ato no sul do estado da Virgínia.

"Isso é o que está em jogo nestas eleições. Não podemos seguir na mesma direção. Temos que mudar a forma como funcionam as coisas", afirmou em meio a aplausos dos presentes.

Hoje, em seu segundo dia de viagem pela Virgínia, continuará falando da economia e escutará as dificuldades de uma mãe solteira e de um aposentado, que serão os encarregados de apresentá-lo em dois dos discursos que fará nesta quinta-feira.

À postura mais agressiva frente a McCain, se somam vários anúncios de televisão que apontam nessa mesma direção.

Ontem mesmo a campanha de Obama lançou um anúncio que vincula McCain a grupos de pressão de Washington e que acaba com a frase: "Durante 26 anos, John McCain jogou os mesmos velhos truques de sempre. Não podemos permitir mais isso".

McCain protagonizou uma implacável campanha de anúncios negativos no mês passado. O último deles, "Milhões", estreou ontem e adverte aos eleitores do suposto aumento do gasto público com a Presidência de Obama.

Bruce Gronbeck, professor da Universidade de Iowa, disse à Agência Efe que as campanhas negativas funcionam e explicou que os republicanos recorreram mais à essa estratégia na história política recente.

Ele destacou que desde as presidenciais de 1988, quando George Bush, pai do atual presidente, derrotou o democrata Michael Dukakis, os republicanos utilizaram a propaganda negativa de forma recorrente.

"Cerca de 80% dos anúncios da campanha de George Bush foram negativos", disse o professor, que afirmou também que, desde então, a direita americana vem utilizando com sucesso o recurso do ataque político.

Os democratas, pelo contrário, preferiram projetar, desde princípios da década de 30, com a chegada ao poder de Franklin D.

Roosevelt, a imagem de um futuro otimista durante as campanhas de John F. Kennedy, Jimmy Carter e Bill Clinton, e que até agora vinha sendo a estratégia de Obama.

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