Em debate, McCain e Obama divergem sobre economia e política externa

OXFORD - A situação econômica atual e a política externa dos Estados Unidos foram os temas discutidos no primeiro debate presidencial dos Estados Unidos, realizado nesta sexta-feira na Universidade do Mississipi. Barack Obama e John McCain divergiram, principalmente, sobre a Guerra do Iraque, mas concordaram quanto à necessidade de fortalecer as sanções contra o Irã.

Redação |

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O moderador Jim Lehrer, da rede de TV PBS, deu início ao debate pouco depois das 22h, e chamou os candidatos ao palco. Depois de se cumprimentarem e tomarem seus lugares, Obama e McCain foram questionados sobre suas posições em relação à atual crise financeira.

Obama respondeu primeiro, definindo essa como a pior situação econômica em anos. Precisamos proteger os contribuintes nesse pacote de resgate da economia. US$ 700 bilhões é muito dinheiro, então é necessário que exista fiscalização sobre o uso desta verba, afirmou, para depois atacar o oponente. A crise é o veredicto final de oito anos de política econômica equivocada, criada por Bush e apoiada por McCain.

O republicano mostrou-se otimista em relação à solução da crise, dizendo que pela primeira vez republicanos e democratas estavam unidos para tentar chegar a uma solução sobre a crise. Estamos finalmente vendo os dois partidos negociando juntos e criando um pacote, que precisa de garantias, afirmou. Não estamos falando sobre falência de instituições em Wall Street. Estamos falando sobre pessoas perdendo empregos e casas.


Obama e McCain debateram por mais de 1 hora e meia / AP

A economia também foi o tema da segunda pergunta do moderador, que quis saber se os candidatos são a favor ou contra o plano de socorro proposto por Bush. Obama disse que ainda não tem os detalhes do pacote, mas que uma intervenção será necessária. O democrata criticou o oponente dizendo que, há dez dias, McCain ainda dizia que a economia estava forte.

O senador republicano afirmou que o povo norte-americano paga por erros cometidos por Wall Street e por agências reguladoras, mas novamente mostrou otimismo quanto ao futuro. Eu tenho fé no trabalhador americano, que é inovador, disse McCain. Eu ainda acredito que nossos melhores dias estão à nossa frente.

O mediador, então, questionou os candidatos se a crise mudaria suas prioridades como presidente. Obama disse que a turbulência econômica vai afetar o orçamento do próximo ano e obrigar o governo a cortar gastos. Afirmou, ainda, que suas prioridades serão investir em educação, ciência e tecnologia, para que o país possa competir com o resto do mundo, e também em produção interna e fontes alternativas de energia, para que, em dez anos, os Estados Unidos deixem de ser dependentes do petróleo do Oriente Médio.

McCain disse que, para tirar o país da crise, é preciso regular a economia, cortar gastos e fiscalizar as agências reguladoras . Temos que examinar as agências do governo e aquelas que não estiverem fazendo seu trabalho devem ser eliminadas, afirmou o senador, que também cogitou a possibilidade de ter de congelar gastos em alguns programas.

Em sua réplica, Obama disse a McCain que foi o seu presidente, com quem concorda "99% do tempo", quem deixou os gastos saírem de controle . McCain replicou definindo-se como um senador independente e dizendo que se opôs a Bush não apenas quanto à questão dos gastos, mas também em relação à prisão de Guantánamo e à condução da Guerra do Iraque.

Iraque

O debate passou a girar em torno de política externa quando o mediador perguntou aos candidatos: que lições vocês tiram da Guerra do Iraque? Obama respondeu que, para ele, a questão é se o país deveria ter entrado no conflito.

Eu me opus a essa guerra no início, quando era politicamente arriscado fazer isso, porque não sabíamos quanto ela ia custar, qual era a nossa estratégia, e porque não tínhamos acabado nosso trabalho no Afeganistão, afirmou o democrata. "Não devemos hesitar em usar força militar, mas devemos usar a força militar com inteligência. No Iraque, não usamos a inteligência".

McCain ironizou o comentário de Obama dizendo que o próximo presidente não terá que decidir se os EUA deveriam ter entrado na guerra, e sim se os EUA devem sair da guerra. Para o republicano, a estratégia do país no Iraque começou com falhas, mas depois, com a adição de tropas e sob o comando do general David Petraeus, entrou nos eixos. Nós vamos voltar para casa com a vitória e com a honra , afirmou o republicano, que disse não ser possível estabelecer uma data para a retirada no Iraque porque a situação ainda é frágil.

O mediador perguntou aos candidatos se eles eram a favor do envio de tropas adicionais para o Afeganistão. Obama respondeu que enviaria duas ou três brigadas adicionais ao país o mais rápido possível.

Segundo o democrata, também é necessário pressionar o governo do Paquistão , um local seguro para rebeldes da Al-Qaeda que fogem do Afeganistão. McCain disse que há muito o que se fazer no país, mas criticou as "ameaças" de Obama, por considerar necessário ver o Paquistão como aliado e ajudá-lo a controlar suas fronteiras.

Irã

O próximo país a ser discutido pelos candidatos foi o Irã. McCain respondeu primeiro, dizendo que a produção de bombas atômicas no Irã significa uma ameaça direta a Israel. Não podemos ter um segundo holocausto. Temos que impor sanções significativas ao Irã, afirmou Acredito que podemos agir com nossos aliados para reduzir a ameaça.

AP
McCain disse que EUA estão vencendo no Iraque
Para McCain, EUA estão vencendo no Iraque
Obama também defendeu o endurecimento das sanções ao país. Acredito que a Guarda Republicana do Irã é uma organização terrorista. Precisamos de mais sanções, da ajuda da Rússia e da China e de diplomacia direta com o Irã, afirmou.

McCain criticou Obama por dizer que vai dialogar com nações hostis sem estabelecer condições para essas conversas. O democrata respondeu que, como presidente dos EUA, conversaria com qualquer um se isso fosse deixar o país mais seguro. McCain voltou a criticá-lo: Se você se encontra com essas nações, legitima os argumentos deles.

Rússia

O mediador passou, então, a questionar os candidatos sobre a relação dos EUA com a Rússia. Obama disse que essa relação tem de ser repensada devido ao recente conflito na Ossétia do Sul. As ações da Rússia na Geórgia foram inaceitáveis. Uma Rússia agressiva e beligerante é uma ameaça e nós temos de apoiar os países da região, afirmou o democrata, salientando que é preciso tomar cuidado para não deixar que as armas nucleares da Rússia caiam nas mãos da Al-Qaeda e tragam de volta um cenário de Guerra Fria.

McCain disse, em seguida, que Obama não entende que a Rússia enriqueceu com o petróleo e é comandada por ex-agentes da KGB. O conflito na Geórgia também tem relação com energia. Uma linha de petróleo passa pelo país e a Rússia tem interesse em controlar o fornecimento de petróleo para a Europa. Nós temos que trabalhar com os russos, mas eles devem se comportar de maneira moderada", disse.

Segurança nacional

O mediador abordou, em seguida, a vulnerabilidade dos Estados Unidos, perguntando: qual a probabilidade de acontecer um novo ataque como o de 11 de setembro? Primeiro a responder, McCain disse que, embora o país esteja muito mais seguro , ainda há um longo caminho a ser percorrido. Nossos serviços de inteligência devem melhorar, os interrogadores não podem torturar, e temos que trabalhar melhor com nossos aliados, afirmou.

AP
Obama disse que país está seguro em
Para Obama, país está seguro em "alguns pontos"
Obama respondeu que o país está seguro em alguns pontos , mas não em outros. Não fizemos muita coisa em nossos portos, estradas e depósitos químicos, afirmou ele, que também ressaltou a importância de o país ser respeitado mundialmente para ser mais seguro.

O assunto segurança nacional fez com que os candidatos trocassem acusações. McCain disse que todos os ganhos da Guerra do Iraque serão perdidos se Obama colocar em prática seu plano de retirada, e afirmou, ainda, que o democrata não tem experiência para liderar o país em um momento de crise. Obama, por sua vez, questionou a eficácia da política externa de Bush, dizendo que, nos últimos oito anos, a administração republicana focou tanto no Iraque que esqueceu a Al-Qaeda, hoje fortalecida.

Em suas considerações finais, o democrata afirmou que parte do trabalho do próximo presidente é mandar ao mundo a mensagem de que os EUA vão investir em educação e na vida das pessoas comuns. McCain se despediu reafirmando que, como ex-prisioneiro de guerra, saberá liderar o país em um momento de conflito.

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