Em Berlim, Obama diz que existem novos muros que devem ser derrubados

BERLIM - O candidato democrata à presidência dos EUA, Barack Obama, discursou para milhares de pessoas nesta tarde em Berlim. Berlim, que já foi o centro da Guerra Fria, prova que não existe desafio grande o bastante para um mundo unido, afirmou Obama.

Redação |


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Obama se apresentou à multidão que aguardava seu discurso em Berlim como um "orgulhoso cidadão norte-americano e um amigo cidadão do mundo".

Em um discurso sobre a renovação das relações entre EUA e Europa, Obama afirmou que agora é a hora de derrubar muros, em referência ao Muro de Berlim. "Cooperação entre nações não é uma escolha. É o único caminho. O caminho para garantir a segurança do nosso povo. Por isso, o maior perigo de todos é deixar que novos muros cresçam entre nós", disse.

Ecoando o discurso do ex-presidente dos EUA Ronald Reagan, que pediu a queda do Muro de Berlim , Obama disse: "Os muros entre países ricos e países pobres não pode existir. Os muros entre raças e tribos; nativos e imigrantes; cristãos, judeus e muçulmanos, não pode existir. São esses os muros que devemos derrubar", afirmou.

Segundo Obama, a Europa e os EUA precisam ficar lado a lado para enviar uma mensagem clara ao Irã, convencendo-o a abandonar suas ambições nucleares. O candidato ainda conclamou os dois parceiros a superarem suas diferenças a respeito da guerra no Iraque a fim de ajudar os iraquianos a reconstruírem seu país.

"Sim, houve divergências entre os EUA e a Europa. Sem dúvida, haverá divergências no futuro", disse. "O maior perigo de todos é permitir que novos muros nos separem uns dos outros".


Obama discursa para multidão em Berlim / Reuters

Os meios de comunicação alemães compararam a visita dele à do presidente John F. Kennedy, em 1963, quando este pronunciou a famosa frase: "Ich bin ein Berliner" ("Eu sou berlinense") .

Ao contrário de Kennedy, Obama não falou nada em alemão, mas discorreu longamente a respeito dos laços históricos entre os EUA e a Alemanha, referindo-se à ponte aérea criada para abastecer Berlim 60 anos atrás e à queda do Muro de Berlim.

Dois telões foram instalados nas proximidades para projetar as imagens do orador e das orquestas que animaram a multidão antes da chegada do candidato.

Encontro com Merkel

O senador de Illinois, que chegou à capital alemã nesta quinta-feira pela manhã, se reuniu durante uma hora com a chanceler conservadora Angela Merkel , antes de encontrar no período da tarde o ministro alemão dos Assuntos Extrangeiros, Frank-Walter Steinmeier.

"A mensagem que eu quero passar sobre os dois lados do Atlântico é a oportunidade formidável de encontrar uma convergência de interesses", declarou o candidato no avião de Tel Aviv para Berlim.

Ele disse que não faria um discurso de campanha, porque não se dirigirá a seus eleitores. "Mas espero que veremos assim as grandes linhas das relações que gostaria de instaurar entre os EUA e a Europa", declarou.


Obama e Merckel se encontraram nesta manhã em Berlim / AP

Expectativas exageradas

As posições do candidato democrata, da retirada das tropas americanas do Iraque ao fechamento da prisão de Guantánamo, seduzem o público alemão. Mas muitos comentaristas advertem contra as expectativas exageradas. "Obama não deve ser confundido com um europeu disfarçado", escreveu esta semana o Handelsblatt.

Merkel declarou quarta-feira que não espera uma reviravolta da diplomacia americana após as eleições. Seja qual for o vencedor, haverá uma continuidade em política estrangeira, avisou em entrevista à imprensa.

Berlim já sabe que o próximo presidente americano pedirá aos europeus mais esforços para sustentar a Aliança Atlântica, principalmente no Afeganistão. A chanceler disse em público que a Alemanha não vai além do reforço de mil homens anunciado para o norte do Afeganistão.

Viagem de estadista

Desde o começo da semana o candidato democraca Barack Obama está em viagem pelo Oriente Médio e Europa. Ele já passou por Afeganistão, Iraque, Kuawait, Jordânia, Israel e Cisjordânia . Agora, Obama visita os três principais aliados dos EUA na Europa, Alemanha, França e Inglaterra.


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