Economia é principal tema de segundo debate entre Obama e McCain

TENNESSEE - A política econômica dos Estados Unidos dominou o segundo debate presidencial dos Estados Unidos, realizado nesta terça-feira na Universidade de Belmont, no Tennessee. O republicano John McCain e o democrata Barack Obama responderam perguntas do moderador, Tom Brokaw, de eleitores que estavam presentes no auditório, além de questões enviadas por internautas.

Redação |

Durante a primeira hora do debate, que começou pouco depois das 22h e terminou por volta das 23h40 (horário de Brasília), os candidatos discutiram a crise financeira do país. Um eleitor deu início ao confronto questionando os candidatos sobre como melhorar a economia para a classe média.


Economia foi o assunto mais debatido nesta terça / AP

Obama defendeu a necessidade de fiscalizar se o pacote de socorro aprovado na última semana será aplicado corretamente. A classe média precisa de um plano de resgate. Os proprietários de imóveis precisam de apoio, disse o democrata, que classificou a crise como uma prova dos erros da política econômica de George W. Bush, aprovada por McCain.

O republicano respondeu que, para resolver o problema, os EUA precisam deixar de ser dependentes energeticamente e parar de enviar tanto dinheiro para o exterior. Ele também defendeu a redução dos impostos e a renegociação dos valores das hipotecas.

McCain acredita que o pacote de resgate aprovado na última semana vai estabilizar os mercados financeiros, mas que ainda será preciso estabilizar o mercado imobiliário. O republicano ressaltou, ainda, que os republicanos trabalham há dois anos para melhorar a fiscalização da economia.

Obama acusou o adversário de ter lutado pela desregulamentação dos mercados em 2007. No ano passado, eu fui para Wall Street e lutei para que houvesse aumento da fiscalização, afirmou.

Uma eleitora fez uma pergunta dura aos candidatos: como posso confiar meu dinheiro ao governo se ambos os partidos nos levaram a essa crise? Obama disse que era importante lembrar que, quando Bush foi eleito, a economia estava boa, mas que em seu governo a dívida externa duplicou. O democrata afirmou que vai gastar dinheiro no que é necessário, como nos setores de saúde e energia.

McCain afirmou ser um reformista e saber trabalhar com ambos os partidos, qualidades necessárias para um presidente na atual situação norte-americana. Eu lutei contra gastos desnecessários, enquanto Obama votou a favor de projetos desnecessários, como um projetor para um planetário em Chicago", acusou.

Quando o apresentador questionou os candidatos quanto a suas prioridades de governo, McCain citou a importância de trabalhar com os dois partidos, criar usinas nucleares para reduzir a dependência energética e gerar empregos.

Obama também falou sobre energia, por considerar que uma melhora nesse setor também se refletirá no fortalecimento da segurança nacional. Países como Rússia, Venezuela e Irã se beneficiam de nossa dependência em petróleo", afirmou.

Os candidatos divergiram sobre a política de impostos que o país deve seguir. Obama criticou McCain por propor corte nas taxas de grandes empresas. "Isso é injusto com a população", afirmou. "Talvez tenhamos que fazer alguns cortes de gastos, mas esses cortes devem ser feitos com cautela", disse.

Por sua vez, o candidato republicano também fez críticas ao adversário, dizendo que a estratégia de Obama vai causar alta de impostos de 50% nas pequenas empresas, que não serão capazes de gerar empregos.

Os dois candidatos buscaram passar uma mensagem otimista em relação à solução da crise. Obama disse estar confiante na recuperação da economia americana, desde que a fiscalização sobre as empresas aumente e o sistema financeiro se modernize. McCain também afirmou que é possível arrumar as finanças do país. Os trabalhadores americanos são os melhores do mundo, disse.

Mudança climática e saúde

Uma eleitora questionou os candidatos sobre como eles fariam para que o Congresso se movimentasse rapidamente para discutir o aquecimento global, assim como se movimentou rapidamente para discutir a crise financeira. McCain defendeu a criação de usinas nucleares, por gerarem energia segura e limpa, E investimentos em tecnologia verde. Precisamos de carros híbridos, movidos a bateria, explicou.

Obama disse que a energia nuclear é uma das fontes de energia que devem ser usadas pelos Estados Unidos, mas não a única. Afirmou, também, que o país não pode investir apenas em perfuração em busca de petróleo, já que esse combustível contribui para o aquecimento global.

McCain e eu concordamos em uma coisa: o maior problema de energia é que por 30 anos os políticos não fizeram nada pela energia, afirmou. Mas McCain esquece de dizer que ele está no Congresso há 26 anos.

Quando o assunto passou para a saúde, McCain e Obama concordaram quanto à necessidade de melhorar o setor. O republicano disse que é preciso criar clínicas comunitárias e desburocratizar hospitais, enquanto o democrata ressaltou a importância de diminuir custos médicos e aumentar a cobertura dos planos de saúde.


Candidatos puderam conversar diretamente com eleitores / AP

Política externa

A primeira pergunta sobre política externa estava relacionada ao principal tema do debate, a economia. O apresentador perguntou como a crise financeira vai afetar o exército norte-americano.

Obama disse que a guerra do Iraque colocou um grande peso na economia. Se continuarmos no rumo de McCain sugere [a continuidade do conflito], vamos gastar muito mais, completou. Para o republicano, a situação atual requer um presidente com experiência e conhecimento militar, capaz de lidar com os conflitos ao redor o mundo. Meu julgamento sobre esse assuntos sempre esteve correto, afirmou McCain.

Uma eleitora perguntou se os Estados Unidos deveriam respeitar a fronteira do Paquistão com o Afeganistão ou invadir o o país para capturar membros da Al-Qaeda.

Obama disse que o problema existe devido ao fato de o governo Bush ter colocado o foco no Iraque, e que é necessário pressionar o Afeganistão e o Paquistão. Se tivermos Bin Laden na nossa mira e o governo paquistanês não puder ou não quiser capturá-lo, nós vamos fazer isso", disse.

Assim como no primeiro debate, McCain disse que Obama estava fazendo ameaças ao Paquistão, o que prejudica os EUA. Se você é um país e quer o apoio de outro, não pode anunciar que vai fazer um ataque, afirmou. Precisamos da ajuda do governo e da população do Paquistão para trabalharmos contra os terroristas, completou.

Os candidatos também falaram sobre a relação dos EUA com a Rússia. McCain disse que o país deve apoiar países como Geórgia e Ucrânia, e não tolerar interferência russa. Obama disse que além de apoio moral, é preciso dar assistência financeira para essas nações. 

Ambos os candidatos defenderam uma posição dura em relação ao Irã, para impedir que o país tenha poder nuclear e represente ameaça a Israel. McCain disse ser necessário colocar pressão no país e impor sanções. Obama defendeu o diálogo com aliados e inimigos para mudar o comportamento do Irã.

Aprendizado

A última pergunta do debate foi sobre os próprios candidatos: o que você ainda não sabe, e como vai aprender? Primeiro a responder, Obama disse que irá enfrentar desafios imensos, e que o mais difícil será lidar com problemas inesperados.

Eu não estaria aqui se esse país não tivesse me dados oportunidades. Foi com bolsas de estudo e com o sacrifício da minha mãe que eu cheguei às melhores escolas dos EUA. A questão é se vamos passar esse sonho americano para futuras gerações, afirmou.

McCain disse não saber o que vai acontecer no futuro, tanto nos EUA como no exterior. Porém, afirmou ter experiência em manter a esperança em tempos difíceis.

Eu acredito nesse país, acredito em nosso futuro, e é por isso que eu peço uma oportunidade ao povo americano. Os tempos são difíceis e por toda a minha vida eu coloquei o país primeiro, concluiu. 


Mulheres dos candidatos subiram ao palco após o debate / AP

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