Democratas farão em Denver convenção mais importante em 40 anos

WASHINGTON - Os democratas concluem hoje os preparativos para a convenção mais relevante dos últimos 40 anos para a legenda, com um candidato negro à Presidência dos Estados Unidos, Barack Obama, que espera na ocasião acabar de forma definitiva com as divisões dentro do partido.

EFE |

Apesar das convenções terem se transformado nos últimos anos em uma mera vitrine televisiva dos partidos, programadas para enaltecer o candidato em horário de máxima audiência, os analistas apostam que a reunião de Denver será diferente.

Muitos a comparam com a de Chicago em 1968, uma convenção histórica realizada em meio a tensões raciais e a uma grande mobilização social, após os assassinatos de Martin Luther King e Robert F. Kennedy, e com a Guerra do Vietnã de pano de fundo.

"A convenção de Chicago, como a de Denver, ocorreu em meio a uma guerra controversa, com fortes protestos, e com o partido muito dividido", disse à Agência Efe Tom Knecht, professor da Universidade de Denver, que acredita que a próxima convenção será a "mais importante" desde então.

Em 1968, o assassinato de Bobby Kennedy, que figurava como favorito nas primárias, causou uma profunda cisão no partido entre os seguidores do vice-presidente Hubert Humphrey, que prometia continuidade, e Eugene McCarthy, um político muito crítico do Governo, especialmente em relação à Guerra do Vietnã.

A eleição de Humphrey, em que o apoio da direção do partido foi determinante, provocou intensos protestos entre os jovens, que acabaram por desencadear uma reforma para aumentar o poder de decisão da alta hierarquia da organização, os superdelegados.

"Quarenta anos depois, o Partido Democrata volta a sentir uma divisão profunda e intensa pela luta de Hillary Clinton e Barack Obama", afirmou Scott Adler, professor de Ciências Políticas da Universidade do Colorado.

A extrema importância da Convenção de Denver está em sua capacidade em unificar o partido. "Se não alcançar, se Obama não conseguir que Hillary Clinton lhe dê seu apoio mais absoluto, então haverá problemas", disse à Efe Adler.

Segundo Susan Shulten, professora de História Política da Universidade de Denver, o partido democrata enfrenta, além disso, uma convenção intensa pela própria personalidade de Obama, "um político diferente, um adventício que chegou com ânsias de mudar a forma de fazer política, de transformar o partido".

Se ganhar as eleições de 4 de novembro, Obama seria o primeiro afro-americano a chegar à Casa Branca.

Outro elemento que remete a 1968 é a capacidade de Obama de conseguir o voto dos jovens e afro-americanos.

Todos estes elementos confluíram para atrair toda a atenção para a convenção de Denver, que se transformará como sempre em um grande espetáculo televisivo, mas ao contrário de outros anos, com uma audiência de milhões de pessoas.

Desde os anos 70, os partidos foram remodelando pouco a pouco as convenções para torná-las mais sofisticadas e digeríveis para o público televisivo, com discursos curtos e dinâmicos, decoração atrativa, e celebridades que compartilham o palco com os políticos.

Mas o público nem sempre respondeu, e nos últimos anos a audiência foi caindo diante da falta de suspense de algumas convenções nas quais já estava tudo decidido, desde o candidato até o programa político.

Este ano, no entanto, as emissoras prepararam um desdobramento em massa perante uma convenção com muitas dúvidas, como o papel que Hillary Clinton irá exercer, e com um protagonista absoluto, Barack Obama.

O clímax será seu discurso de aceitação da candidatura fora do lugar onde acontecerá a convenção, algo que não ocorria desde 1960 com John F. Kennedy.

A equipe de Obama, em uma operação bem calculada, escolheu um moderno estádio esportivo, com capacidade para 75 mil pessoas, para que o candidato aceite o desafio de lutar pela Presidência perante vários espectadores.

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