Defensores da supremacia branca nos EUA apostam em vitória de Obama

Representantes de movimentos pela supremacia branca nos Estados Unidos apostam na vitória eleitoral do candidato democrata Barack Obama para lançar sua chamada Revolução Branca e corrigir o suposto declínio da raça no país.

EFE |


"Acreditamos que Obama vai ganhar, porque é a culminação da era a favor das minorias nos EUA. Mas, isso vai gerar um contra-ataque dos brancos e até uma revolução", disse Richard Barrett, um conservador do Mississipi e líder do Movimento Nacionalista.

"Para nós, é uma luta da maioria branca contra a tirania das minorias. Essa era trouxe distúrbios, pobreza, chantagem, assassinatos e poder político para as minorias", disse Barrett.

"Muitos brancos votarão em Obama, mas se darão conta de seu erro, voltarão a defender os direitos da maioria e a exigir uma mudança", afirmou.

Grupos como o de Barrett, que se autodenominam nacionalistas e que defendem a supremacia dos brancos até na internet, sentem-se vítimas de um sistema que, segundo sua opinião, confere preferências "desmerecidas" aos negros, hispânicos e demais minorias étnicas.

Segundo especialistas consultados pela Efe, não é que esses grupos apóiem Obama, o primeiro negro com reais possibilidades de chegar à Casa Branca, mas eles odeiam mais seu rival John McCain, a quem chamam de traidor por seu apoio a uma reforma integral da política de imigração.

Os membros destes grupos, dispersos em toda a geografia nacional, optarão por não votar ou, na privacidade das urnas, "votarão em Obama, com a esperança de que isso lhes ajude a impulsionar uma Revolução Branca", disse Mark Potok, um pesquisador do Southern Poverty Law Center (SPLC), com sede em Montgomery (Alabama).

Seu grupo se dedica a rastrear as ações de organizações supremacistas, estimadas em 888 em 2007, a maioria concentrada no sul e na zona central do país. O SPLC calcula que cerca de 200 mil pessoas pertencem a esses grupos.

"Os supremacistas acham que uma vitória de Obama seria como um grito de batalha dos brancos e que milhões se unirão em sua causa e armarão a revolução" a favor da segregação racial nos bairros e escolas, disse Potok.

Este fenômeno reflete o pouco que melhoraram as relações raciais nos EUA, cuja imagem foi manchada pelo legado da escravidão e do racismo.

Carol Swain, professora de Ciências Políticas e Leis da Universidade Vanderbilt, acredita que apesar da vitória de Obama representar uma mensagem sobre o progresso social dos EUA, para os supremacistas "seria um símbolo da decadência do país e do mal pelo qual os brancos estão passando".

"Estes grupos dizem que se sentem vítimas, discriminados e marginalizados e dizem se ressentir das preferências concedidas às minorias. Acham que se a sociedade continuar enfatizando a identidade racial, então mais e mais brancos se sentirão no direito de defender a sua", explicou Swain, autora de um livro sobre o tema.

Um ex-líder do Ku Klux Klan, David Duke, divulga em sua página na internet a causa do "nacionalismo branco" e acredita que um triunfo de Obama seria um "claro sinal para milhões de americanos brancos de que não se dão conta" de que perderam o controle de seu país.

Segundo o site de Duke, ex-legislador da Louisiana, "o perigo imediato" dos EUA é a "imigração em massa" de mexicanos. Ele advertiu que, se esta tendência continuar, haverá "um genocídio do povo americano".

Duke, um declarado anti-semita, reclama do fato de negros e hispânicos terem grupos que defendam seus interesses, mas segundo ele "se uma pessoa branca defende sua herança cultural, a mesma que fundou este país, então a chamam de racista".

A Primeira Emenda da Constituição protege a liberdade de expressão, o que dá direito ao ódio pregado por grupos extremistas contra os judeus e demais minorias. A lei só intervém quando há uma incitação direta a atos de violência ou são cometidos crimes raciais.

Para muitos, a Revolução Branca é uma fantasia que, no entanto, demonstra que o racismo persiste e que a retórica da esperança, a mudança e a reconciliação, que tanto defende Obama, não combate esses grupos.

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