Decisão de McCain é ¿ato de campanha¿, diz analista

A decisão de John McCain de suspender a campanha para a presidência devido à crise econômica norte-americana é um ato de campanha. Essa é a opinião do sociólogo Demétrio Magnoli, doutor em geografia humana pela Universidade de São Paulo e editor do jornal Mundo ¿ Geografia e Política Internacional. Aparentemente, ele está suspendendo a campanha para fazer campanha de outro jeito, afirmou Magnoli, que foi surpreendido pelo anúncio do senador republicano, feito nesta quarta-feira.

Luísa Pécora, do Último Segundo |

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Segundo o sociólogo, a decisão parece ser a forma encontrada por McCain para tentar reverter os efeitos das recentes turbulências econômicas na corrida à Casa Branca. "Obama vinha crescendo nas pesquisas como nítido reflexo da crise financeira", explicou Magnoli. "McCain parece tentar um golpe político que imagina ser sofisticado: dizer que não vai fazer baixa política, mas, sim, alta política, a política em nome dos interesses do país."

O analista acredita que o anúncio feito por McCain está relacionado às divergências entre congressistas republicanos e democratas em relação ao pacote de resgate das instituições financeiras americanas, proposto por George W. Bush na última semana.

Bush pede a aprovação imediata do plano de socorro, mas os democratas querem alterar o documento, por acreditarem que ele dá poderes extraordinários ao Secretário do Tesouro, Henry Paulson.

"Ao dizer que para de fazer campanha e volta a ser um senador americano, McCain tenta passar a mensagem de que, neste momento de crise, os republicanos querem salvar o país, enquanto os congressistas democratas fazem briga partidária", afirma Magnoli.

Para ele, a estratégia pode ser inteligente, mas os efeitos junto ao público dependem da reação de Barack Obama. Em seu pronunciamento, McCain disse que comunicou o adversário de sua decisão, pediu que se juntasse a ele, e, ainda, que o primeiro debate presidencial, marcado para essa sexta-feira, fosse adiado.

Ainda na quarta-feira, Obama disse que não aceitaria adiar o debate. "Acredito que este é exatamente o momento que o povo americano deve ouvir as pessoas que serão responsáveis por lidar com a crise daqui 40 dias", afirmou Obama. "É parte do trabalho do presidente fazer mais de uma coisa ao mesmo tempo."

Para Demétrio Magnoli, Obama não poderia aceitar a proposta de McCain sem comprometer a posição dos democratas no congresso. "Seria como dizer 'é hora de nos alinharmos acima dos partidos' ou 'é hora de nos alinharmos com o Bush'", afirma

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