Crise deve pôr A.Latina em 2º plano na agenda do Governo Obama

Céline Aemisegger. Washington, 6 nov (EFE).- A chegada de Barack Obama à Casa Branca não envolverá uma mudança notável da política dos Estados Unidos em relação à América Latina, e o novo presidente também não deve tratar com mais peso a região porque tem muitos problemas pela frente, segundo especialistas.

EFE |

"É difícil imaginar que Obama dará à América Latina mais prioridade que a dada pela Administração Bush. O Governo vai estar muito ocupado e distraído com outros temas, não somente em política externa, mas agora também no próprio país", afirmou o analista político Michael Shifter, do instituto Inter-American Dialogue.

Apesar do entusiasmo e da esperança de mudança despertada pela mensagem do recém eleito presidente dos EUA na América Latina e outras regiões do mundo, a realidade substituirá cedo ou tarde a euforia, explicou Claudio Loser, analista do mesmo instituto.

Segundo Shifter, por essa razão, para poder analisar os planos que Obama tem em política externa, "o menos produtivo é olhar o que disse durante a campanha", porque "esteve centrado em ganhar e agora, governar é outra coisa".

Com dois conflitos abertos, em Iraque e Afeganistão, com a crise financeira internacional e com a imagem dos EUA no exterior em baixa, Obama terá outras prioridades e se centrará em resolver primeiro esses problemas, afirmaram os analistas políticos.

Não em vão, Shifter considerou que Obama poderá provocar uma mudança na política americana em relação à América Latina, embora seja apenas para impulsionar uma nova atitude.

"Uma estratégia centrada em mais consultas e uma maior ênfase em uma aproximação multilateral poderiam marcar a diferença no tom geral e na qualidade da relação" com a América Latina, disse.

"Obama será muito seletivo" nos temas que definirão sua política externa, afirmou Hakim, que considerou que um assunto prioritário será a crise financeira, que afeta também a América Latina.

Outro fator que requer a atenção de Obama na região será o da segurança, já que se encontrará com uma situação de "instabilidade, provocada pelo narcotráfico e pelo crime organizado, que está piorando, sobretudo, no México", ressaltou o analista.

No aspecto econômico, os analistas acreditam que Obama mudará sua posição sobre o Tratado de Livre-Comércio (TLC) com a Colômbia e "fará todo o possível" para levá-lo adiante, "entendendo que a globalização inclui abrir barreiras e facilitar o livre mercado".

Um assunto complicado é o relativo à Venezuela e ao melhoramento das relações dos EUA com o Governo Hugo Chávez.

Apesar dos analistas considerarem que existe "uma oportunidade" para atenuar as tensões e "o potencial de reconstruir" as relações, também se mostraram convencidos de que não haverá tão breve um encontro entre os dois líderes.

Para Shifter, o obstáculo para entabular uma relação melhor com a Venezuela está em suas alianças em política externa com países como Rússia e Irã.

"Esses temas não vão desaparecer e por isso não depende de quem esteja na Casa Branca para que os EUA melhorem sua relação com Caracas", disse o especialista. Para ele, talvez haverá um ato "simbólico" entre ambos os países, porém, nada muito maior que isso.

Na mesma categoria os analistas incluem Cuba. Obama disse que permitirá as viagens familiares a Cuba e o envio de remessas, mas também assegurou que manterá o embargo econômico à ilha caribenha.

Dan Eriksson, diretor para o Caribe do instituto, acredita ser "improvável" que o futuro presidente dos EUA se reúna com Raúl Castro, mas considerou que as outras concessões propostas por Obama "seriam já uma mudança drástica" na política dos EUA em relação a Cuba.

Para os analistas, em todo caso, o papel exato que os EUA terão sob a liderança de Obama na América Latina ficará definido quando o presidente afro-americano tiver pela frente sua primeira crise na região. EFE cai/rr

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