Começa a convenção democrata em Denver

Os democratas abriram formalmente, nesta segunda-feira, sua convenção, na qual vão declarar Barack Obama como seu candidato a presidente dos Estados Unidos. Sob o signo de uma unidade renovada, Hillary Clinton também pedirá a seus partidários apoiarem Barack Obama.

Redação com agências internacionais |


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A reunião começou pouco depois das 15h em Denver (18h em Brasília) com a abertura a cargo do presidente do partido Howard Dean.

"Durante esta convenção, vamos mostrar a todos os americanos que precisamos de Barack Obama e de Joe Biden na Casa Branca", declarou Dean durante o discurso de abertura.

Barack Obama, 47 anos, vai se dirigir na noite desta segunda-feira aos delegados via satélite a partir do estado de Missouri (centro dos EUA) depois do primeiro grande discurso da reunião, pronunciado por sua esposa Michelle , uma bem-sucedida advogada de Chicago, no Pepsi Center, uma quadra poliesportiva gigante praticamente transformada em base militar e protegida por um forte contingente de policiais.

Além do discurso de Michelle, a meia-irmã do candidato Maya Soetoro-Ng, falará da infância e das experiências que marcaram a personalidade do senador por Illinois.

Duas personalidades históricas do partido, o ex-presidente Jimmy Carter e o senador Edward Kennedy também devem intervir nesta segunda-feira. Carter se expressará por meio de uma mensagem gravada, mas é provável que Kennedy, abalado por um câncer no cérebro, esteja presente.

Cerca de 50.000 pessoas convergiram para Denver, entre elas 4.200 delegados e 15.000 jornalistas, para participar do evento.

Os custos da convenção foram estimados em US$ 40,6 milhões. Um total de 25 mil pessoas se ofereceram como voluntários do evento e cerca de 15 mil jornalistas devem participar da cobertura.

Seguidores de Hillary

No entanto, num evento que deveria servir para unir, ainda pesam os ressentimentos por parte de seguidores de Hillary -- não só pela derrota nas primárias, mas por ela ter sido preterida na indicação a vice. Obama escolheu o veterano senador Joe Biden, que chegou na segunda-feira à convenção.

Falando antes do início da convenção a delegados de Nova York, o seu Estado, Hillary pediu unidade partidária. 'Somos afinal todos democratas, então pode demorar um pouco. Não somos um partido que exige todos na linha. Somos diversos. Mas não se enganem, somos unificados', disse ela.

Há relatos de que o marido dela, o ex-presidente Bill Clinton, estaria chateado por ter sido convidado a falar de política externa na noite de quarta-feira, em vez de discursar sobre economia.

Obama afirmou a jornalistas que o acompanham que, em conversa telefônica na semana passada, ele disse a Clinton que o ex-presidente poderia falar sobre o que quisesse. 'Bill Clinton é uma figura ímpar na nossa política', acrescentou.

Em ato de campanha em Illinois, Obama disse também que Hillary esteve na sua lista final de possíveis vices, e negou que haja uma divisão no partido. 'Estou absolutamente convencido de que tanto Hillary Clinton quanto Bill Cinton entendem o que está em jogo', afirmou.

Mas uma nova pesquisa mostrou que o voto 'hillarista' não está garantido para Obama. De acordo com o levantamento CNN/Opinion Research Corp., o democrata está empatado com o republicano John McCain, ambos com 47 por cento.

Entre os simpatizantes de Hillary, o voto em Obama caiu de 75 por cento no final de junho para 66 por cento. Já o percentual dos que pretendem agora votar em McCain subiu de 16 para 27 por cento.

Agenda cheia de discursos

Na terça-feira, acontece o aguardado discurso da senadora Hillary Clinton , que brigou até o final nas primárias e que, apesar de ter perdido por uma pequena margem de diferença, receberá, como prêmio de consolação, a votação simbólica de sua candidatura na convenção.

Trata-se de um ato que tem como objetivo apaziguar os protestos dos milhões de incondicionais eleitores de Hillary que não aceitam o fato de Obama, e não a ex-primeira-dama, liderar a chapa democrática, apesar de seus defensores não descartarem realizar manifestações em frente à convenção.

Embora Hillary tenha dado apoio público a Obama, os analistas esperam que ela ofereça respaldo completo e incondicional quando discursar no encontro democrata, na terça-feira. Segundo Scott Adler, professor de Ciências Políticas da Universidade do Colorado, só assim será cicatrizada a profunda ferida aberta durante as primárias no Partido Democrata.

Na terça-feira também falará Mark Warner, ex-governador da Virgínia e candidato ao Senado, que foi escolhido para ser o orador principal da convenção, papel que costuma ser dado a alguma figura promissora dentro do partido. Em 2004, foi o então candidato ao Senado por Illinois Barack Obama quem falou na convenção realizada em Boston, com um discurso inflamado sobre as feridas raciais abertas nos Estados Unidos, que o lançou no cenário político americano.

Na quarta-feira, véspera da escolha final da convenção, subirão ao palanque alguns dos pesos pesados do partido, entre eles o ex-vice-presidente americano Bill Clinton, além do candidato à vice-presidência dos EUA na chapa de Obama, Joe Biden, cuja identidade foi uma incógnita até sábado .

O grande dia da convenção, no entanto, será na quinta-feira, quando Obama fará seu esperado discurso de aceitação e se tornará, oficialmente, candidato do Partido Democrata a se tornar o 44º presidente dos EUA.

Em uma iniciativa que não acontecia desde 1960, com John F. Kennedy, Obama não fará seu discurso na sede da convenção, mas no gigantesco estádio Invesco Field, onde reunirá 75 mil simpatizantes.

(Com informações das agências Reuters, AFP e EFE)

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