Com Obama favorito, republicanos negros buscam se fazer ouvir nos EUA

Na elitista Universidade Howard, em Washington, onde a maioria dos estudantes é negra e está fascinada com a possibilidade de Barack Obama se tornar o primeiro presidente negro dos Estados Unidos no dia 4 de novembro, os conservadores são um grupo isolado.

AFP |


Os poucos que decidem se colocar contra a onda democrata que tomou conta do campus - e se uniram à organização de estudantes universitários republicanos College Republicans - contam que são chamados de "loucos" e mesmo "racistas" por suas convicções políticas.

Reginald Darby, 21 anos, estudante de Ciências Políticas, diz ter deixado a mãe de coração partido ao revelar que pretendia votar no candidato republicano à presidência, John McCain.

"Priorizo a experiência acima de tudo", argumenta Darby, vice-presidente dos College Republicans na Universidade Howard, grupo formado por cerca de 10 pessoas em um campus de 10 mil estudantes. "Obama tem muitas idéias nostálgicas. Nunca vi ele aprofundar estas idéias e transformá-las em realidade", aponta.

Darby acabava de sair de uma reunião com outros estudantes negros que simpatizam com o candidato republicano, onde discutiu idéias conservadoras que raramente são ouvidas na comunidade negra - 90% da qual votou nos democratas nas últimas eleições presidenciais.

O presidente do grupo de republicanos negros da universidade, Cameron Lewis, 21 anos, matriculado no curso de Estudos Afro-Americanos, afirma apoiar o Partido Republicano por sua "marcada ênfase no trabalho duro e na independência".

Lewis se opõe às "políticas de assistência democratas que perpetuam a dependência e os ciclos de pobreza entre as minorias, mulheres e crianças".

Mas Lewis, assim como a metade do grupo dos College Republicans, admite estar preocupado com a falta de compromisso do Partido Republicano com os negros, e não descarta votar em Obama na última hora.

"Falei com a Casa Branca e com outros líderes republicanos de nossa área e pedi que citassem políticas e leis que tenham sido impulsionadas por mãos republicanas", contou Lewis na reunião do grupo que comanda.

"A resposta que eu obtive - e estou sendo muito franco com vocês - foi, bom, 'John McCain falou na NAACP'", a associação nacional de incentivo aos negros, grupo de defesa dos direitos civis, lamenta.

"Estou decepcionado", admite. "Acho que esta é uma oportunidade para garantir que nossa comunidade não passe em vão, embora nossa própria comunidade nos veja como racistas, intolerantes ou o que quer que seja", acrescentou.

Os College Republicans afirmam que, na política, os negros enfrentam barreiras que outros grupos minoritários não têm, como os hispânicos, que são cortejados pelos dois partidos porque há entre eles conservadores e liberais.

Para Kendra Hill, coordenadora política do grupo, de 20 anos, o problema da campanha de Obama é o foco na ajuda à classe média.

Mas "a classe média americana não é negra. A classe média americana típica é branca. O americano negro típico ganha menos de US$ 30 mil por ano", estima.

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