Clima de guerra fria domina a eleição nos EUA e Putin é o alvo favorito

Um clima de guerra fria parece dominar a atual campanha presidencial americana, na qual a Rússia e seu presidente, Vladimir Putin, voltam a ser um assunto tão delicado quanto foi, por várias décadas, a antiga União Soviética aos olhos da política americana.

AFP |

    O candidato republicano às eleições presidências de novembro, John McCain, é o o mais crítico, e acusou a Rússia de ser "vingativa" durante discurso na semana passada sobre política exterior, dias antes da reunião entre o presidente americano, George W. Bush, e Putin.

    "Os países ocidentais devem indicar claramente a solidariedade da Otan, do Mar Báltico ao Mar do Norte, onde não há divisões, e que as portas da Aliança se mantenham sempre abertas para as democracias que se comprometam com a defesa e a liberdade", afirmou McCain.

    Para Moscou, a idéia de que a aliança atlântica se expanda não lhe é agradável.

    Ainda que os presidenciáveis acabem sendo mais flexíveis uma vez eleitos, McCain já deu a entender que, caso seja eleito, as relações com Moscou serão mais distantes do que as mantidas por Bush e Putin.

    "A Rússia é um alvo muito fácil para qualquer candidato", garantiu Justin Logan, pesquisador do Cato Institute.

    No entanto, não é apenas McCain que critica a Rússia, um país que está crescendo, tem cada vez mais poder militar e econômico e influência diplomática, baseada em seu estatuto de membro permanente do Conselho de Segurança da ONU.

    A pré-candidata democrata Hillary Clinton ironizou comentário do presidente Bush, quem, em 2001, assegurou ter lido a alma de Putin ao olhar em seus olhos.

    "Diria a Bush que Putin foi um agente da KGB e, por definição, não tem alma, isso é uma perda de tempo, um absurdo", disse Hillary em discurso em janeiro.

    Durante um debate televisionado em fevereiro, a ex-primeira-dama aparentou ter dúvidas sobre a autoridade do sucessor de Putin, Dmitri Medvedev, cujo nome ela ainda pronunciou errado.

    "Medvedev é uma pessoa que teve todas as portas abertas por Putin, que Putin pode controlar, alguém nada independente", acusou Hillary, e ressaltou que esses "são pontos que levantam muitas dúvidas sobre a maneira como vamos lidar com a Rússia de agora em diante".

    Por outro lado, seu rival na disputa democrata, o senador Barack Obama, menciona menos a relação entre os dois países. No ano passado indicou que o país "não é nosso inimigo, nem nosso aliado neste momento".

    Disse ainda que Washington devesse pensar duas vezes antes de exigir mais democracia e transparência à Moscou.

    Em 2007, Obama visitou a Rússia com o ex-presidente republicano da comissão de Relações Exteriores do Senado americano Richard Lugar, que foi um dos responsáveis pela eliminação das reservas nucleares na ex-União Soviética.


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