Casamento gay ameaça se transformar em perigosa arma eleitoral nos EUA

Teresa Bouza Washington, 17 mai (EFE).- A decisão do Tribunal Superior da Califórnia de aprovar o casamento homossexual reabriu um debate sensível nos Estados Unidos que pode ter um grande impacto nas eleições deste ano, como ocorreu nas eleições presidenciais de 2004.

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De fato, uma decisão similar em Massachusetts no ano de 2003 permitiu aos republicanos mobilizar suas bases, sobretudo no estado de Ohio, um dos mais importantes para o quadro eleitoral dos EUA.

A união entre casais do mesmo sexo foi um dos temas-chave na campanha de 2004 e um grande número de estrategistas democratas vinculou então o voto em massa da direita religiosa propiciado pela polêmica gay com a derrota do democrata John Kerry.

Não estão claras, ainda, as repercussões que a decisão do tribunal californiano terá nas eleições deste ano, embora os especialistas assinalem que há grandes diferenças frente a 2004.

A mais notável é a deterioração da situação econômica, o que fez com que as preocupações dos eleitores se concentrem este ano em tudo o que afeta seus bolsos.

A isso se soma a Guerra do Iraque, outro dos temas que monopoliza a atenção dos eleitores americanos.

Além disso, as últimas pesquisas realizadas sobre o tema indicam que, embora ainda impopular, a rejeição ao casamento gay diminuiu.

Assim, uma pesquisa realizada pelo Centro Pew no final do ano passado mostra que 55% dos americanos se opõem às uniões entre casais do mesmo sexo, abaixo de 63% que achavam o mesmo em 2004.

Seja como for, ninguém questiona que o assunto é controvertido.

Que sirva como exemplo os esforços dos grupos conservadores californianos que querem incluir nas cédulas de novembro uma iniciativa para modificar a constituição do estado e declarar inconstitucional o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Se for aprovada uma mudança da Carta Magna, todas as decisões judiciais anteriores ficariam canceladas.

Com esse panorama como cenário de fundo, os especialistas apontam que o lógico é que o debate unifique aqueles eleitores conservadores em assuntos sociais.

Mas Richard Parker, professor da Universidade de Harvard, diz que, ao contrário do que possa parecer, não está claro que um palco desse tipo beneficie automaticamente o candidato republicano John McCain.

"McCain precisa atrair os eleitores moderados e independentes, esses grupos não se opõem necessariamente às uniões entre casais do mesmo sexo", explicou à Agência Efe Parker.

A complicação não acaba aí: McCain disse abertamente que se opõe a uma emenda constitucional em nível federal para proibir o casamento gay, o que o coloca em uma posição delicada com a ala mais conservadora do partido.

Suas opiniões sobre esse tema não foram objeto de grande debate, mas poderiam ser a partir de agora se o assunto alcançar projeção.

O senador Barack Obama, favorito a candidatura presidencial democrata, diz que embora em nível pessoal acredite que o casamento deve de ser entre um homem e uma mulher respalda uma lei federal sobre uniões civis, que conferiria aos casais gays muitos dos direitos, embora nem todos, desfrutados pelos casais tradicionais.

Parker alerta que a controvérsia sobre o casamento gay apresenta também riscos para Obama, já que na sua opinião os republicanos poderiam utilizá-lo para colocar os hispânicos, em sua maioria católicos, contra si.

Segundo o jornal "The Wall Street Journal", os hispânicos estarão junto com os jovens, a classe operária branca e os habitantes das zonas rurais e das pequenas cidades americanas decisivos nas eleições gerais do dia 4 de novembro.

Hillary Clinton, que compete em um cada vez mais distante segundo plano pela candidatura presidencial democrata, também respalda as uniões civis, embora ache que são os estados que deveriam decidir sobre o casamento gay. EFE tb/ma

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