Casal Clinton esquece primárias e vai a comício de apoio a Obama

WASHINGTON - Bill e Hillary Clinton participaram hoje pela primeira vez juntos de um ato a favor do candidato democrata à Casa Branca, Barack Obama, em um sinal de que as divergências das primárias ficaram para trás, e em um momento em que o tom da campanha presidencial nos Estados Unidos se endurece.

EFE |

O ex-presidente e sua esposa, a principal adversária de Obama nas primárias, apresentaram hoje o candidato democrata à Vice-Presidência, Joe Biden, em um ato em Scranton, na Pensilvânia, onde o pai de Hillary está enterrado e de onde o próprio Biden é originário.

"Vamos lutar pelo futuro e vamos ganhar", afirmou a ex-candidata à Presidência no comício, em um dos Estados mais disputados das eleições.

Por saber da acirrada disputa pelo voto nas regiões rurais do Estado, Hillary disse que Obama e Biden "não estão pedindo a mão em casamento, estão pedindo o voto a favor deles".


Biden e a mulher abraçam Hillary e Bill Clinton durante comício / AP

Foi a primeira vez que os Clinton compareceram juntos para fazer campanha a favor do antigo adversário de Hillary. A senadora, que participou de vários comícios de apoio a Obama, esteve junto ao candidato democrata em um ato em New Hampshire em junho, mas seu marido tinha se mostrado mais resistente a defender Obama.

Com a proximidade do pleito, que será realizado em 4 de novembro, os dois optaram por deixar para trás o ressentimento que ainda pudessem abrigar e se unir sem reservas para garantir a eleição de um presidente democrata.

Após o discurso no comício em Scranton, o casal seguirá por caminhos distintos, e enquanto Hillary liderará um ato para arrecadar fundos na Filadélfia, seu marido participará de novos eventos na Virgínia, além de outros em Nevada e Ohio nos próximos dias.

Ataques contra Obama

A participação dos Clinton acontece em um momento bastante disputado na campanha eleitoral, depois que esta semana alguns partidários do candidato republicano, John McCain, se mostraram muito agressivos contra Obama em diversos comícios, o que obrigou o próprio republicano a defender seu adversário.

No sábado, o congressista democrata John Lewis acusou McCain de "semear (...) o ódio e a divisão" racial e de uma possível incitação à violência perante o tom de sua campanha, que esta semana acusou Obama de "se juntar com terroristas" por sua relação com William Ayers, membro de um grupo violento nos anos 60.

"Como figuras públicas com o poder para influir e convencer, o senador McCain e a governadora Palin estão brincando com fogo, e se não tiverem cuidado (...) vai queimar todos", declarou.

McCain reagiu às declarações de Lewis, ao considerá-las exageradas.

Obama e McCain ficarão frente a frente pela última vez na quarta-feira, três semanas antes do pleito, em seu terceiro e definitivo debate, na Universidade Hofstra, em Nova York.

Enquanto seus candidatos à vice-presidência "participavam de comícios, os dois dedicaram o dia a se preparar para o debate, McCain na Virgínia e Obama em Ohio.

Pesquisas

O candidato democrata aparece na frente nas pesquisas e o site RealClearPolitics, que elabora uma média das principais enquetes, dá a Obama uma vantagem de 7,3 pontos percentuais frente a McCain (49,7% contra 42,4%).

Os analistas atribuem esta vantagem em boa parte graças à crise financeira, que acaba favorecendo o candidato democrata.

Para fazer frente a essa situação, McCain propôs no debate anterior, na terça-feira passada, um plano para que o Governo adquira e diminua o valor das hipotecas dos proprietários com dificuldades para pagá-las.

Os assessores do candidato republicano disseram hoje que McCain estuda anunciar um novo plano econômico de grande alcance para fazer frente à atual crise financeira.

Em declarações à rede "CBS", o senador Lindsey Graham, da Carolina do Sul, afirmou que o plano de McCain considera que "chegou o momento de diminuir os juros tributários aos investidores, reduzir os impostos", e assegurar, portanto, um apoio à economia.

"Será um projeto muito amplo para despertar a economia, para permitir que se crie capital mais facilmente rebaixando os impostos", afirmou o senador.

Leia mais sobre eleições nos EUA

    Leia tudo sobre: eleições nos eua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG