Campanha de McCain culpa Obama por fracasso de socorro a Wall Street

Os republicanos atribuíram ao candidato a presidente Barack Obama e ao seu Partido Democrata a culpa pela não-aprovação no Congresso do pacote de 700 bilhões de dólares que deveria resgatar o setor financeiro nos EUA.

Redação com agências internacionais |


"Barack Obama falhou em liderar, telefonou, atacou John McCain e se recusou até mesmo a dizer se apoiava o projeto final", disse o assessor de McCain Douglas Holtz-Eakin, em nota ,após a rejeição do plano na Câmara, por 228 a 205 votos.

O senador McCain passou o fim de semana em Washington ao telefone com os participantes da negociação, mas não foi ao Congresso. Obama também falou por telefone com o secretário do Tesouro, Henry Paulson, e com líderes parlamentares, mas manteve os eventos de campanha.

"Este projeto fracassou porque Barack Obama e os democratas colocaram a política à frente do país", disse Holtz-Eakin.

O plano teve apoio da maioria da bancada democrata, mas não da maioria republicana. Foram 133 votos republicanos e 95 democratas contra o projeto. Líderes republicanos na Câmara disseram que alguns colegas se irritaram com um discurso da presidente da Casa, Nancy Pelosi, antes da votação, por entenderem que assumiu um viés partidário.

Durante uma coletiva em Des Moines (Iowa, centro dos EUA), pouco depois da rejeição do pacote no Congresso, McCain explicou que deseja "desempenhar um papel construtivo e levar todo mundo de volta à mesa de negociações".

"Peço ao Congresso que volte imediatamente ao trabalho para resolver esta crise", disse o candidato republicano. "Agora não é hora de determinar quem são os culpados, e sim de resolver o problema".

Em evento de campanha em Denver, no Colorado, Obama fez críticas à situação econômica, mas pediu tranquilidade. "É importante que os americanos e os mercados mantenham a calma, porque as coisas nunca são fáceis no Congresso", disse Obama, para quem o pacote ainda será aprovado.

"Se eu for eleito presidente eu vou revisar o plano todo para garantir que ele está trabalhando para salvar nossa economia e que ele garantirá a devolução do dinheiro do contribuinte", declarou o candidato.

"Era da cobiça"

Após a votação, Obama disse num comício em Westminster, no Colorado, que ainda há chance de acordo. "Democratas e republicanos em Washington têm a responsabilidade de garantir que um pacote de resgate emergencial seja aprovado e possa pelo menos conter os problemas imediatos que temos, para que possamos começar a planejar o futuro."

"Obviamente é algo muito difícil. É difícil porque para começar não deveria ter chegado aqui", disse Obama, que atribuiu a crise a uma "era de cobiça" em Wall Street e à irresponsabilidade das autoridades.

Em meio à crise, Obama cresceu nas pesquisas das últimas duas semanas. Na maioria dos levantamentos para as eleições de 4 de novembro, o senador democrata agora tem uma ligeira vantagem.

Pesquisas

Na quarta-feira passada, o republicano anunciou que suspenderia sua campanha durante as negociações, mas participou de um debate na sexta-feira e retomou a agenda eleitoral na segunda.

"Suspendi minha campanha por um par de dias na semana passada afim de lutar por um plano de resgate que colocar vocês, sua segurança econômica, sua família e os trabalhadores norte-americanos em primeiro lugar", disse McCain, em comício antes de o pacote ser rejeitado.

"O senador Obama adotou uma abordagem muito diferente diante da crise que nosso país enfrentou", prosseguiu. "De início, ele não quis se envolver. Aí ficou 'monitorando a situação'. Isso não é liderança, isso é assistir de fora."

Leia mais sobre eleições nos EUA

    Leia tudo sobre: eleições nos eua

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG