Caminho rumo à Casa Branca passa pelos bairros latinos

WASHINGTON - Os eleitores hispânicos poderiam passar de nove milhões nos Estados Unidos e já são um dos mais cobiçados tanto pelo democrata Barack Obama como pelo republicano John McCain, podendo definir ainda vitórias em estados considerados importantes na eleição presidencial desta terça-feira.

EFE |

Por isso, centenas de militantes e voluntários das campanhas dos dois candidatos à chefia da Casa Branca travam uma feroz disputa pelo voto latino em Flórida, Colorado, Nevada e Novo México.

Os voluntários visitam casa por casa, os bairros latinos e os estabelecimentos que estes freqüentam em busca de apoio.

Os programas de rádio e TV em espanhol também estão incluídos nos esforços dos candidatos democrata e republicano para se aproximar da minoria que mais registra crescimento em território americano.

"Vemos que tais esforços estão surtindo efeito. Achamos que teremos uma grande margem de vitória entre os hispânicos", disse à Agência Efe David Plouffe, diretor da campanha de Obama.

Eleitorado crescente

A participação hispânica nas eleições tem crescido desde as eleições de 2000, quando 5,9 milhões de hispânicos foram às urnas. Em 2004, esse número chegou a 7,6 milhões, e este ano, são esperados pelo menos nove milhões.

A natureza histórica do pleito desta terça - com a possibilidade de escolha do primeiro presidente negro do país, entre os democratas, e de uma mulher para a vice-presidência, do lado republicano - gerou uma grande mobilização entre os eleitores.

Embora representem cerca de 9% do total do eleitorado americano, as pesquisas e estudos independentes deixaram claro que, devido a sua alta concentração numérica em alguns estados-chave, os hispânicos poderiam deter a cobiçada "chave" da Casa Branca.

Os latinos representam 38% do eleitorado do Novo México, 12% dos eleitores registrados em Nevada e Colorado, e 14% na Flórida. Em Nevada, por exemplo, a vantagem de Obama se deve ao aumento da população latina e dos esforços de recenseamento promovidos por sindicatos.

Na Flórida, os republicanos levam vantagem sobre os democratas no caso dos hispânicos em assuntos como a fé e a segurança nacional.

Mas, devido a mudanças demográficas ocorridas nos últimos anos, nas quais porto-riquenhos e centro e sul-americanos estão superando em número a comunidade cubana, o estado poderia tornar-se democrata.

"Aqui a dúvida está em qual será a margem (de voto latino) para os dois candidatos. Na Flórida, basta que 8% ou 9% dos latinos decidam mudar de opinião para que Obama saia vitorioso", disse à Efe Harry Pachon, presidente do Instituto de Política Tomás Rivera (TRPI, na sigla em inglês), na Califórnia.

Vantagem democrata

AP

Latinos preferem Barack Obama

Mark López, diretor adjunto do Centro Hispânico de estudos Pew, declarou que 65% dos latinos se identificam com o Partido Democrata, frente a 26% que optam pelo Partido Republicano, "o que supõe a maior diferença nesse sentido em uma década". Em 2006, a distância entre as duas legendas era de 21 pontos percentuais.

Os hispânicos formam um dos segmentos mais atingidos pela crise financeira nos EUA. A taxa de desemprego na comunidade chega a 7,8%, e 29% dos empréstimos hipotecários de alto risco foram concedidos a famílias latinas.

A crise econômica, educação e assistência médica são os assuntos mais importantes para os latinos. Tanto Obama como McCain emitiram comentários em espanhol sobre esses temas.

No entanto, da mesma forma que o restante dos americanos, a maioria dos hispânicos opina que Obama manejaria melhor a economia.

"É imprevisível saber quantos dos novos cidadãos latinos finalmente comparecerão às urnas", disse Pachon, que destacou a luta de McCain em busca de ao menos 40% dos votos hispânicos no pleito de terça, algo que foi conquistado pelo presidente George W. Bush em 2004.

Uma pesquisa recente do instituto Gallup informou que Obama conta com 62% dos votos hispânicos, contra 39% de McCain.

No entanto, Hessy Fernandez, porta-voz de McCain entre a comunidade hispânica, insiste em afirmar que a enquete que conta "é a de 4 de novembro, quando o povo sair para votar".

"Este é um ano de grandes desafios para os republicanos, mas o fato de existirem ainda muitos indecisos significa que há sérias dúvidas sobre Obama, e sobre se está preparado para liderar", completou.

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