Biden busca papel consultivo na vice-presidência dos EUA

JUPITER, EUA - Joe Biden se refere a Dick Cheney como o vice-presidente mais perigoso que os EUA já tiveram, devido à abrangência dos seus poderes, e ele próprio deseja para si um papel mais discreto caso seja eleito na chapa de Barack Obama na semana que vem.

Reuters |

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  • Biden, um veterano senador por Delaware, conhecido por sua experiência em política externa e seus contatos no Congresso, diz não querer um status de ministro como vice- presidente, ambicionando apenas ser um consultor de confiança para Obama.

    "Em toda grande decisão que ele tomar eu estarei sentado na sala para dar o meu melhor conselho. Ele é o presidente, não eu", disse Biden no debate do mês passado contra a candidata republicana a vice, Sarah Palin.

    "O vice-presidente Cheney tem sido o mais perigoso vice-presidente que provavelmente já tivemos na história norte-americana", afirmou.

    Os vice-presidentes dos EUA têm duas funções constitucionais: substituir o presidente em caso de impedimento e presidir o Senado, votando apenas em caso de empate.

    Mas Cheney tem uma influência que vai muito além disso, abrangendo também questões de segurança nacional, energia e meio ambiente.

    Conhecido nos círculos políticos como Darth Vader, o vilão de "Guerra nas Estrelas", Cheney é um dos principais mentores da guerra do Iraque e dos polêmicos métodos de interrogatórios contra suspeitos de terrorismo, que alguns equiparam à tortura.

    Antes de virar vice-presidente, Cheney dirigiu a empresa de serviços petrolíferos Halliburton. No governo, é uma voz ativa em prol de mais exploração de petróleo como forma de reduzir a dependência dos EUA do combustível estrangeiro.

    Cheney recusa-se terminantemente a cumprir uma ordem do Executivo para proteger informações sigilosas, alegando que seu gabinete é parte do Legislativo, e não do Executivo, devido à sua qualidade de presidente do Senado.

    Especialistas dizem que Biden não deve acumular a mesma influência que Cheney tem sobre Bush, especialmente em questões de energia e segurança.

    "Simplesmente não acho que isso deva acontecer de novo", disse Peter Beinart, do Conselho de Relações Exteriores. "Cheney foi totalmente sui generis, fora dos mapas."

    David Wade, porta-voz de Biden, disse que Obama não escolheu um vice para "explorar uma questão aqui e outra ali."

    De acordo com Wade, Biden participará das principais decisões, como "um vice-presidente que oferece sua avaliação honesta e independente".

    Bush encarregou Cheney da transição depois da caótica eleição de 2000, decidida pela Suprema Corte com base de uma recontagem de votos na Flórida.

    "Cheney teve uma tremenda influência, porque George Bush lhe deu . Ele precisava desesperadamente de conselhos de alguém experiente em Washington. Cheney explorou tal abertura", disse Paul Light, especialista nos processos de nomeação política.

    O atual vice, que havia sido secretário de Defesa no governo de George H. Bush, pai de George W. Bush, ajudou a colocar ex-colegas no primeiro escalão, como Donald Rumsfeld, que teve uma segunda passagem pelo comando do Pentágono.

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