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Barack Obama: o candidato com a proposta de mudança

Barack Obama, de 46 anos, pode se tornar o primeiro presidente negro dos Estados Unidos, caso vença a eleição de 4 de novembro deste ano.

Redação com agências internacionais |

Com suas habilidades retóricas e seu sorriso sedutor, Barack Obama é considerado um fenômeno ainda não visto na política americana desde John F. Kennedy, que chegou à presidência dos Estados Unidos em 1960.

Apresentando-se como a voz de uma nova geração, Obama é filho de Barack Obama Sr., um economista queniano educado em Harvard, e de Ann Dunham, uma mulher de Wichita, Kansas, Estado incrustado no coração dos EUA. Os dois se conheceram quando estudavam na Universidade do Havaí, no fim da década de 50.

Nascido em Honolulu, no Havaí, em 4 de agosto de 1961, Obama, filho de pais separados, cresceu em dois lugares diferentes. Quando a mãe casou novamente, ele foi com ela para a Indonésia, onde viveu durante muitos anos.

Na Indonésia, Obama diz ter aprendido a enxergar as desigualdades extremas do mundo. "Conscientizei-me das enormes diferenças de oportunidades que existem em muitos países do mundo. Soube quão pobres algumas pessoas podem ser, e percebi como a corrupção pode frustrar as oportunidades", afirmou.

Após voltar aos EUA, Obama teve uma adolescência rebelde no Havaí. Na época, experimentou maconha e cocaína, conforme afirma em sua biografia. Anos mais tarde, Obama estudou ciências políticas na Universidade de Columbia e graduou-se em direito em Harvard, onde foi o primeiro negro a ocupar o cargo de presidente da influente publicação Harvard Law Review.


Campanha de Obama aposta no desejo de mudança ("change") do eleitorado / Getty

Carreira política

Ele iniciou a carreira política em Chicago, no Estado de Illinois, centro-oeste dos Estados Unidos, como advogado especialista em direitos civis. Foi professor de Direito Constitucional na Universidade de Chicago antes de se candidatar à uma vaga no Poder Legislativo de Illinois, em 1996.

AP
Em 2000, Obama tentou uma vaga no Congresso dos EUA

Em 2000, Obama tentou uma
vaga no Congresso dos EUA

Obama foi deputado estadual em Illinois entre 1996 e 2004, quando ganhou os votos dos brancos e dos negros de seu distrito.


Em 2004, candidatou-se a senador pelo Partido Democrata e conseguiu se eleger ao derrotar Blair Hull nas primárias democratas e o republicano Jack Ryan nas eleições gerais. Obama venceu a disputa com mais de 70% dos votos e chamou a atenção da mídia ao ser o terceiro senador negro da história dos Estados Unidos.

Quando ganhou um lugar no Senado, Obama mostrou ser um legislador habilidoso, capaz de trabalhar com os membros dos dois partidos mantendo firme seu perfil de liberal moderado.

Batizado por alguns como "a grande esperança branca", por encarnar o sonho de reconciliação num país com profundas divisões raciais, o senador ganhou relevância no panorama político americano durante a convenção nacional do Partido Democrata em Boston, em 2004.

"Não existem Estados Unidos negros e Estados Unidos brancos, Estados Unidos latinos e Estados Unidos asiáticos. Somos um único povo, todos jurando fidelidade à bandeira estrelada, todos defendendo os Estados Unidos da América", exclamou então, arrancando os aplausos da multidão.

Ajudado por um carisma irresistível e um enorme sorriso, Obama ganhou uma popularidade digna de uma estrela do rock. Seus dois livros autobiográficos, "The Audacity of Hope" ("A audácia da esperança") e "Dreams from my father" ("Sonhos do meu pai") se transformaram em best-sellers nos EUA e em vários países do mundo, inclusive no Brasil.


Carismático, Obama é tratado como "estrela do rock" por onde passa / Getty Images

Posições políticas

Obama baseia sua campanha à presidência dos EUA no "voto que ele não deu". Todos os seus rivais que estavam no Senado em 2002 votaram a favor da resolução que autorizava o presidente Bush a usar a força no Iraque. Obama disse que votaria contra se estivesse no Congresso.

"A invasão  irracional do Iraque vai despertar os piores impulsos no mundo árabe e fortalecer a Al-Qaeda. Não me oponho a todas as guerras, somente às guerras burras", disse em 2002, na Assembléia Legislativa de Illinois. Ele defende ainda a retirada gradual das tropas do Iraque e, quando já era senador, votou contra o aumento de tropas proposto por Bush.

Em seu plano de governo, o democrata afirma que vai mudar a política atual dos EUA sobre os problemas climáticos. Diz que vai instituir um "mercado de carbono" para reduzir as emissões dos EUA em 80% até 2050. Além disso, defende combustíveis alternativos e limitação de emissões em automóveis.

Obama é mais cauteloso em suas posições liberais quando o assunto é imigração. Ele votou a favor da cerca que protege a fronteira americana com o México e apoiou o aumento de verbas para fiscalizar os imigrantes ilegais proposto por Bush.

Em questões morais e de saúde pública, Obama se mostra a favor do direito da mulher abortar e não se opõe a união civil entre homossexuais. Ele também pretende universalizar o serviço de assistência médica dos Estados Unidos.

Frases


Oratória é um dos pontos fortes do democrata / Getty Images

"Cooperação entre nações não é uma escolha. É o único caminho. O caminho para garantir a segurança do nosso povo. Por isso, o maior perigo de todos é deixar que novos muros cresçam entre nós" -- 24 de julho de 2008, em discurso para mais de 200 mil pessoas em Berlim

"América, este é nosso momento. Este é o nosso tempo. Nosso tempo de virar a página das políticas do passado. Nosso tempo de trazer nova energia e novas idéias para os desafios que enfrentamos. Nossa página de oferecer uma nova direção a esse paíse que amamos" -- 3 de junho de 2008, no discurso que comemorava a vitória nas primárias democratas

"Sou filho de um homem negro do Quênia e de uma mulher branca do Kansas. (...) Trata-se de uma história que não fez de mim o mais convencional dos candidatos. Mas ela tornou parte de minha composição genética a idéia de que este país é mais que a soma de suas partes --a idéia de que, múltiplos, sejamos um só" -- 19 de março de 2008, em discurso sobre raça

"Chegou a hora de trazer as tropas para casa. Chegou o momento de admitir que não há quantidade de vidas americanas capaz de resolver o desacordo político que jaz no fundo da guerra civil de outro país" -- fevereiro de 2007, ao anunciar em Illionois que iria se candidatar à presidência

"Não existem Estados Unidos negros e Estados Unidos brancos, Estados Unidos latinos e Estados Unidos asiáticos. Somos um único povo, todos jurando fidelidade à bandeira estrelada, todos defendendo os Estados Unidos da América" -- agosto de 2004, na Convenção Democrata que oficializou a candidatura de John Kerry

"A invasão  irracional do Iraque vai despertar os piores impulsos no mundo árabe e fortalecer a Al-Qaeda. Não me oponho a todas as guerras, somente às guerras burras" -- 2002, em discurso na Assembléia de Illinois.

Opinião dos colunistas

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* Com AP, AFP, EFE e Reuters

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