Assessores de Obama e McCain preocupam-se com cúpula financeira

NOVA YORK - O papel a ser desempenhado pelo presidente-eleito dos EUA na cúpula internacional de novembro a respeito da reforma das regulamentações financeiras ainda é incerto, afirmaram nesta terça-feira assessores dos dois candidatos à Presidência.

Reuters |


Os líderes europeus defenderam uma reformulação da arquitetura financeira internacional criada depois da 2 a Guerra Mundial, na conferência de Bretton Woods (1944) - uma grande reelaboração que pode não receber o apoio incondicional do atual governo dos EUA, liderado por George W. Bush, e nem do governo do sucessor dele.

Bush disse no sábado que organizaria a primeira de uma série de cúpulas mundiais encarregadas de debater a crise financeira enquanto o mundo enfrenta seu pior abalo econômico desde a Grande Depressão de 1929.

A cúpula deve ocorrer logo depois das eleições presidenciais norte-americanas, em 4 de novembro. Mas o novo líder do país só tomará posse em janeiro.

Em um evento ocorrido em Nova York, na terça-feira, Austan Goolsbee, que aconselha o candidato do Partido Democrata à Presidência dos EUA, Barack Obama, e Douglas Holtz-Eakin, que aconselha o republicano John McCain, disseram saber pouca coisa sobre a cúpula planejada e estavam inseguros quanto ao papel a ser desempenhado ali pelo presidente-eleito.

"Acho que chamar isso de uma nova Bretton Woods significa fazer uma analogia totalmente descabida", afirmou Goolsbee, no encontro do Conselho sobre Relações Exteriores.

"O que precisamos fazer agora não gira em torno da cotação de moedas, ou coisas dessa natureza. Trata-se de criar um mecanismo de supervisão e de elaboração de intervenções governamentais para evitar que a crise financeira piore. Isso é muito diferente de Bretton Woods."

Holtz-Eakin disse que a participação do presidente-eleito "dependeria do presidente e dos outros presentes ao encontro. Não está muito claro ainda qual seria o nosso papel."

Os dois assessores disseram que a melhor forma de os EUA ajudarem outros países atingidos pela crise passava por colocar sua própria casa em ordem e incentivar o crescimento econômico.

"No nível mais amplo, o mais importante a fazer no caso dos EUA é ajudar o mundo a não mais sangrar, fazendo com que a crise financeira seja contida", afirmou Goolsbee.

Segundo o assessor, Obama havia argumentado várias vezes em favor de um esforço coordenado internacionalmente a fim de evitar o que descreveu como o "arbítrio regulamentário", no qual os mercados financeiros se valeriam das vantagens oferecidas pelos diferentes sistemas de regulamentação existentes em cada país.

"O arbítrio regulamentário dos últimos oito anos mostrou-se bastante radical, de forma que precisamos melhorar isso", afirmou.

"Tanto do ponto de vista da ordem interna quando do ponto de vista do desenvolvimento internacional, os EUA precisam tratar da questão internamente antes", disse Goolsbee.

"Os EUA precisam fazer isso de forma coordenada, porque vários outros países deparam-se com os mesmos problemas e, se todos agirem sozinhos, podem acabar agravando os problemas dos nossos vizinhos", afirmou. "Mas está claro que todo mundo precisa atentar para o que está acontecendo dentro dos seus mercados a esse respeito."

O primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Gordon Brown, defendeu a adoção de várias reformas, entre as quais um fórum de regulamentação para monitorar os riscos do sistema financeiro, leis mais rígidas a respeito da divulgação de informações e diretrizes sobre a remuneração dos altos executivos.

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