Analistas dizem que Obama soube explorar demografia da Flórida

MIAMI - A diversidade demográfica do Estado da Flórida, com um protagonismo decisivo dos hispânicos, foi um fator determinante para a vitória de Barack Obama, segundo pesquisas e análises.

EFE |


Obama, que levou os 27 votos no colégio eleitoral da Flórida, soube captar neste Estado o crucial apoio dos eleitores hispânicos e mobilizar o entusiasmo dos jovens e dos negros, segundo várias enquetes.

Do voto hispânico, 57%, ou 12% do total do Estado, foram para o agora presidente eleito, contra 42% que foram dirigidos a seu adversário, o republicano John McCain, de acordo com a empresa pesquisadora Bendixen e Associados, com sede em Miami.

Obama também obteve o apoio majoritário dos independentes e dos que votavam pela primeira vez em eleições presidenciais, em um Estado-chave que votou em George W. Bush em 2000 e 2004 e que parecia fechado às aspirações democratas.

O presidente eleito soube aproveitar a mudança demográfica experimentada pela Flórida nos últimos anos, a transformação paulatina de uma "comunidade hispânica que é hoje mais diversa, com gente procedente de diferentes países da América Latina", disse à Agência Efe Susan Kaufman Purcell, diretora do centro para a política hemisférica da Universidade de Miami.

A diversa comunidade hispânica da Flórida mostra, por exemplo, "diferentes pontos de vista" sobre a questão de Cuba e, em algumas ocasiões, diverge nas prioridades que colocam um bom número de cubano-americanos do sul da Flórida que apoiaram McCain, explicou Kaufman.

Para ela, a própria comunidade cubano-americana se diversificou e a geração mais jovem "não se importa tanto com o assunto de Cuba ou, quando se importa, querem uma mudança" na política externa americana em relação à ilha, assegurou.

Segundo a pesquisa da Bendixen, 35% dos eleitores dessa parcela da população do condado de Miami-Dade, no sul da Flórida, votaram em Obama, um aumento de dez pontos percentuais em comparação com o respaldo recebido por John Kerry nas eleições de 2004.

"Não é que haja uma divisão exata", explicou Kaufman, mas está claro que os jovens de origem cubana "querem uma mudança na política dos Estados Unidos".

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