ANÁLISE-Obama é a favor ou contra a abertura comercial?

Por Jonathan Lynn GENEBRA, Suíça (Reuters) - Em Barack Obama, os parceiros comerciais dos EUA encontrarão um homem com fortes instintos internacionalistas mas ainda assim comprometido com a luta para defender o emprego dos norte-americanos.

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Em um momento no qual a necessidade de estimular o crescimento econômico faz-se acompanhar pelas pressões em favor de uma regulamentação mais rígida do mercado, tanto o político que recebeu apoio dos sindicatos quanto o que deseja ver os EUA beneficiarem-se da integração global veriam suas mãos amarradas.

O futuro presidente mostrou estar ciente da visão negativa que muitos eleitores norte-americanos têm do comércio internacional, mesmo que não concorde com essas opiniões.

Discursando em abril sobre as frustrações dos eleitores das pequenas cidades em vista da falta de empregos, Obama descreveu pessoas que "se apegam a suas armas ou à religião, ou a um sentimento de repúdio ao comércio".

O presidente eleito quer alterar o Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte) a fim de tornar mais rígidas as regras sobre as condições de trabalho e de proteção ao meio ambiente. Participam do Nafta os EUA, o Canadá e o México.

Além disso, Obama deseja adotar uma linha mais dura em relação à China, que possui um imenso e cada vez maior superávit comercial com os EUA.

No entanto, a elevação de 18 por cento nas exportações norte-americanas durante os primeiros oito meses deste ano representa um dos poucos pontos positivos de uma economia já em retração no terceiro trimestre do ano, e nenhum presidente dos EUA pode arcar com o preço de prejudicar as trocas comerciais.

"Quando ele fala em termos gerais sobre ser energicamente pró-comércio, ele é energicamente pró-globalização, energicamente a favor de um mundo interconectado", disse Fredrik Erixon, diretor do Centro Europeu para a Economia Política Internacional (Ecipe).

"Eu não o chamaria de um defensor do livre comércio, mas de um internacionalista."

O ministro brasileiro das Relações Exteriores, Celso Amorim, também rejeita a idéia de que o Partido Democrata, de Obama, seja protecionista.

"Eu não acho que isso seja ainda verdade. Isso tem mais relação com o setor manufatureiro do que com os problemas agrícolas que estamos enfrentando. E os democratas também são mais multilaterais", disse.

O primeiro indício sobre a postura de Obama em relação ao comércio pode surgir na próxima semana, dois meses antes de ele tomar posse, em uma cúpula a ser realizada em Washington, no dia 15 de novembro, a fim de discutir a crise financeira. O presidente eleito ainda não disse se participará do encontro, mas o governo atual dos EUA, em fim de mandato, deverá, de toda forma, espelhar as opiniões dele.

O Brasil e a Austrália querem que a cúpula instrua os negociadores de vários países a acelerarem a Rodada de Doha, um processo da Organização Mundial do Comércio (OMC) para abrir o comércio global. E a chefe da área de comércio da União Européia (UE), Catherine Ashton, afirmou na quinta-feira ser possível realizar avanços neste ano, enviando assim uma mensagem positiva para a economia mundial.

Se a cúpula não der um empurrão na Rodada de Doha, lançada sete anos atrás, corre-se o risco de haver uma demora ainda maior no próximo ano, e isso devido às eleições na Índia e à formação de uma nova Comissão Executiva da UE.

(Reportagem adicional de Wendell Roelf em Cape Town)

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