ANÁLISE-McCain não consegue derrubar Obama com ataques

Por John Whitesides WASHINGTON (Reuters) - Na reta final da campanha presidencial norte-americana, os republicanos lançam ataques frequentes e pesados contra o democrata Barack Obama, como ao dizerem que ele é amigo de terroristas ou que é um socialista que adora cobrar impostos.

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Mas Obama sistematicamente ignora essas acusações, e as pesquisas indicam que é McCain quem tem sua imagem mais afetada por causa da campanha negativa.

"Obama se portou muito calmamente, e de muitas maneiras pareceu mais estável que McCain -- e McCain realmente o ajudou a criar essa impressão", disse Andrew Kohut, presidente do instituto Pew Research Center. "Ele tentou muitas coisas. Obama fez um bom trabalho resistindo a elas."

Estrategistas republicanos esperavam que Obama fosse vulnerável ao mesmo tipo de ataques que no passado derrubou candidatos democratas como John Kerry e Al Gore.

O consultor republicano Kevin Madden, que participou da campanha de George W. Bush em 2004 e de Mitt Romney nas primárias deste ano, disse que a dificuldade de McCain em estabelecer uma linha de ataques clara ajudou Obama.

Em 2004, Bush martelou sobre Kerry o rótulo de "flip-flopper" ("vira-casaca"), até que, "a cerca de 40 dias da eleição isso pegou", segundo Madden. Em 2000, os republicanos conseguiram jogar sobre Gore a pecha de que era um político elitista e alienado.

McCain tentou esses e outros adjetivos desde que Obama assegurou a indicação democrata, em junho, mas nunca se apegou a um tema.

"A campanha de McCain apertou o botão do 'reset' vezes demais. Obama emergiu das primárias com um monte de vulnerabilidades, mas transformá-las em prejuízos exigia um foco muito consistente, que nunca foi desenvolvido", disse Madden.

Nos meses seguintes a junho, McCain tratava Obama como uma celebridade elitista da política, criticava mudanças em suas posições e ironizava seus discursos inflamados em enormes comícios.

Mas a aposta dos republicanos em destruir Obama contando com a sua relativa inexperiência foi anulada com a escolha da obscura governadora do Alasca, Sarah Palin, como candidata a vice de McCain.

A partir de então, ganharam forças as tentativas de retratar Obama como sendo "liberal" (esquerdista) demais, inclusive por ter atuado na direção de uma ONG ao lado do ex- militante radical William Ayers.

Só que na mesma época vieram o agravamento da crise econômica e os debates entre os candidatos, nos quais Obama teve um desempenho consistente. Analistas dizem que a situação econômica foi decisiva para a queda de McCain nas pesquisas, especialmente depois que ele disse que os fundamentos econômicos dos EUA estavam sólidos -- quando Wall Street estava desabando -- e que os candidatos deveriam suspender as campanhas por causa da crise, embora ele próprio não tenha conseguido contribuir com a aprovação no Congresso de um pacote de ajuda para o setor financeiro.

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