Análise: Biden quer ter papel de conselheiro como vice-presidente

CHICAGO (Reuters) - Joe Biden descreve Dick Cheney como o mais perigoso vice-presidente da história norte-americana por causa dos amplos poderes angariados pelo último e diz que deseja desempenhar um discreto mas importante papel de conselheiro ao lado de Barack Obama.

Reuters |

Senador por Delaware que se tornou vice-presidente eleito depois de Obama ter vencido as eleições de terça-feira, Biden diz não estar procurando por nenhum encargo específico e que deseja ficar junto do novo presidente quando decisões importantes forem tomadas.

"Barack será o responsável por elaborar as políticas e tomar as decisões. Eu vou dar-lhe minhas melhores opiniões", afirmou Biden, um senador veterano conhecido por sua experiência na área de política internacional.

Em um debate no qual derrotou a candidata a vice-presidente da chapa republicana, Sarah Palin (governadora do Alasca), no mês passado, o democrata deixou claro que não deseja imitar Cheney.

"O vice-presidente Cheney tem sido o vice-presidente mais perigoso que provavelmente tivemos na história dos EUA", disse.

Os vice-presidentes possuem duas obrigações segundo a Constituição -- funcionar como presidente reserva e comandar o Senado, votando apenas quando há empate. Tradicionalmente, a atuação dos titulares desse cargo tem sido limitada.

Cheney, no entanto, angariou vários poderes, ampliando sua influência para as áreas de segurança nacional, energia e política ambiental.

Conhecido nos círculos de Washington como Darth Vader, o atual vice-presidente foi um dos grandes defensores da guerra no Iraque e da utilização da violência como método de interrogatório para supostos militantes.

Cheney também se recusou a obedecer um decreto presidencial mandando que preservasse informações secretas. Segundo o vice-presidente, seu gabinete era parte do Poder Legislativo, e não do Executivo, devido a seu cargo de presidente do Senado.

Especialistas e historiadores afirmam que Biden não terá o mesmo tipo de influência que Cheney tem sobre o presidente George W. Bush, em especial nas questões de energia e de segurança nacional.

"Eu não acho que há chances de isso ocorrer de novo", afirmou Peter Beinart, do Conselho de Relações Exteriores. "Cheney era um caso único, fora da curva."

David Wade, porta-voz de Biden, disse que Obama não escolheu um vice-presidente para "palpitar sobre uma questão aqui e outra acolá".

"Joe Biden será um vice-presidente sentado à mesa e postado dentro do Salão Oval quando forem tomadas decisões importantes."

Bush encarregou Cheney do processo de transição que se seguiu à conturbada eleição presidencial de 2000, que acabou por ser decidida pela Suprema Corte depois da recontagem dos votos na Flórida.

"Cheney exerce uma tremenda influência porque George Bush deu-lhe espaço. Bush precisava desesperadamente dos conselhos de uma pessoa experiente. Cheney explorou essa abertura", afirmou Paul Light, especialista em processos políticos de nomeação.

Cheney, secretário de Defesa durante o governo do presidente George H. W. Bush, pai do atual líder norte-americano, ajudou antigos colegas a conquistarem cargos importantes, entre os quais Donald Rumsfeld quando este ganhou um segundo mandato à frente do Departamento de Defesa.

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