A imprevisível corrida pela nomeação democrata presidencial

SÃO PAULO - A corrida presidencial democrata, vencida por Barack Obama no dia 3 de junho, foi muito acirrada e imprevisível. A Obamania acabou tirando o título de favorita de Hillary Clinton e transformou os últimos seis meses em uma árdua batalha por votos e delegados.

Redação com agências internacionais |

Antes do início da disputa das prévias democratas, poucos imaginavam que a senadora Hillary Clinton não seria a indicada para disputar a presidência dos Estados Unidos pelo Partido Democrata. A candidata aparecia em todas as pesquisas como favorita e contava com o apoio de seu marido, o ex-presidente dos Estados Unidos Bill Clinton.

Às vésperas das prévias, em dezembro do ano passado, o também senador Barack Obama surgia como desafiante e crescia nas pesquisas. De acordo com artigo publicado no The New York Times na época, apesar de manter uma liderança sólida entre os democratas na maioria das pesquisas nacionais, Hillary mostra sinais de vulnerabilidade, com suas margens se aproximando nos estados iniciais e seu principal rival para a nomeação, o senador Barack Obama, sendo mais agressivo.

Já na primeira prévia, realizada no Estado de Iowa, em 3 de janeiro, ficou claro que Hillary não teria vida fácil: Obama venceu, com 38% dos votos, seguido pelo ex-senador John Edwards, que na época também disputava a indicação democrata. Hillary aparecia em terceiro lugar, com 29% dos votos.

A segunda prévia foi em New Hampshire, Estado que fora governado por seu marido Bill Clinton antes que chegasse à presidência. O favoritismo, no entanto, era de Obama, mas após algumas lágrimas ao falar da dura campanha terem suavizado sua imagem, Hillary obteve uma vitória apertada, 39% a 37%, demonstrando que continuava na briga.

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Hillary se emociona e chora
durante debate em New Hampshire
Mas foi na super-terça (5 de fevereiro), quando mais de 20 Estados realizaram primárias ou cáucus, que ficou provado que seria uma corrida acirrada. Estrategistas da campanha de Hillary acreditavam que ela conquistaria a nomeação nesse dia, mas ao invés disso, a votação em massa da super-terça levou a uma competição tensa de cinco meses. Ela ganhou em 9 Estados, ele, em 12.

Uma semana depois, Obama ganhou na Virgínia, em Maryland e no Distrito de Columbia e, pela primeira vez na campanha, ultrapassou Hillary no número de delegados para a convenção dos democratas, que entrou em uma maré de azar e teve 10 derrotas consecutivas.

Após um mês de derrotas, as primárias de Ohio e Texas se tornaram definitivas, se Obama ganhasse, Hillary já não teria mais chances. Qualquer resultado diferente de vitórias convincentes nos dois Estados poderá significar o fim da campanha de Hillary, dizia uma análise da Reuters na época. De fato, a senadora obteve bons resultados nos dois Estados e ganhou sobrevida.

Já na Pensilvânia, a campanha moveu em direções imprevísiveis durante sete dias. Sermões radicais do ministro de Obama que condenava os EUA pela sua política externa e por racismo geraram dias de cobertura, mas a declaração falsa de Hillary sobre uma viagem a Bósnia em que ela estivera sob mira de armas a colocou por baixo de novo.

Mesmo assim, a Pensilvânia foi atrás de Obama no dia 22 de abril por sua associação com o reverendo Jeremiah A. Wright Jr., dando a vitória à Hillary, com 55% dos votos. Mas ela não conseguiu traduzir esses ganhos com os críticos superdelegados ¿ delegados com autonomia de voto e maior peso eleitoral - do Estado.

No dia 6 de maio, a noite foi dominada pela derrota de Hillary na Carolina do Norte e pouca atenção foi dada em sua vitória apertada, por apenas dois pontos, em Indiana. Esse se tornou o momento que a candidatura desesperada de Hillary Clinton pela nomeação presidencial democrata finalmente se chocou com a imperdoável realidade da contagem de delegados. Ela dependia que as vitórias dessem um novo impulso em sua candidatura, e de repente, isso não existia mais. Uma semana depois, Obama ultrapassou a ex-primeira-dama também no número de superdelegados.

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Obama conquistou a nomeação democrata
após obter os delegados necessários
Apesar de ela ter anunciado que não iria abandonar a campanha e ter exigido que os delegados da Flórida e Michigan, punidos por terem antecipado suas primárias, também fossem contados, Obama conseguiu o número de delegados suficiente, 2.118, para garantir sua candidatura com a vitória na primária de Montana, no dia 3 de junho, mesmo com a vitória de Hillary em Dakota do Sul.

Hillary se despediu oficialmente da corrida pela Casa Branca no sábado, 7 de junho, com um discurso em Washington no qual pediu que seus 18 milhões de partidários esquecessem seus rancores e ajudassem Obama a se tornar o primeiro presidente negro da história dos Estados Unidos. Para vencer McCain em novembro, Obama precisa atrair boa parte daqueles que apoiaram Hillary nas primárias: as mulheres, os mais idosos e os hispânicos, principalmente. Desta forma, a senadora pode ajudar convencendo seus eleitores a não se abster e, principalmente, a não votar no republicano.

(*Com informações das agências EFE, AFP e do 'The New York Times')

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