Vitória de Sérgio Cabral consolida a máquina do PMDB no Estado

Reeleito com o triplo de votos de Gabeira, governador reafirma liderança da sigla e tira de evidência políticos tradicionais

Flavia Salme, iG Rio de Janeiro |

Wagner Meier/AE
Cabral vota acompanhado da mulher e com filhos, em Copacabana, zona sul do Rio
O governador Sérgio Cabral Filho (PMDB) foi reeleito. Com 99,9% dos votos apurados, ele chegou a 66,1% dos votos válidos. Com isso, Cabral provou sua habilidade política de conciliador e a força da máquina partidária do PMDB no Estado, avaliam analistas. Logo no início de seu primeiro mandato, em 2007, Cabral transformou em parceria a aliança selada com o presidente Lula no segundo turno das eleições em 2006. O acordo garantiu ao Estado ser um importante receptor de recursos federais. A liderança de Cabral, e do partido, foi consolidada em 2008, com a vitória do atual prefeito Eduardo Paes no maior colégio eleitoral do Rio, onde estão 40% dos eleitores fluminenses.

As vitórias consecutivas fortaleceram o fim da chamada Era Cesar Maia na capital e reduziram a força de políticos locais como o casal de ex-governadores Anthony e Rosinha Garotinho, seus principais rivais.

Nem mesmo o deputado federal Fernando Gabeira (PV), o mais votado do Estado em 2006, com 293.057 votos, foi capaz de fazer frente ao grupo político de Cabral. Depois de amargar a derrota para Eduardo Paes em 2008, quando perdeu por uma diferença de 1,65% de votos (55.225), o verde foi mais uma vez vencido.

Aliados estimam que Cabral contou com o apoio de 91 dos 92 prefeitos do Estado. Só ficou de fora a prefeitura de Campos dos Goytacazes, no norte fluminense, comandada pela família Garotinho. No início da disputa, Cabral e o PMDB contavam com 38 prefeitos aliados. Mas, ao longo da corrida, até mesmo políticos que deveriam integrar a aliança de oposição em apoio a Fernando Gabeira (PV) fizeram campanha formal ou informal pela reeleição do governador.

“Cabral venceu porque foi competente. O Gabeira não foi capaz de representar uma oposição definida ao governo”, afirma o cientista político Eurico Figueiredo, da UFF.

Um dos principais articuladores das alianças no interior, o vice-governador Fernando Pezão foi uma das peças-chave para a manutenção da hegemonia do PMDB no Estado. Outro importante colaborador foi o presidente da Assembleia Legislativa do Rio, Jorge Picciani, responsável por aprovar repasses na ordem de R$ 250 milhões para interior.

“A liderança do Cabral faz parte de um pacote, que começa com as parcerias com o prefeito Eduardo Paes e o presidente Lula, e avança com ações de combate a problemas críticos como a segurança, com a instalação das Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs)”, diz Wladimir Lombardo Jorge, do Departamento de Ciência Política da Universidade Federal Rural Fluminense (UFRRJ). “Outros fatores importantes foram a conquista da Copa de 2014 e as Olimpíadas de 2016”, acrescenta.

Vitória sobre adversários com mais de 44 pontos de vantagem

Os apoios recebidos por Cabral levaram seu principal adversário nesta disputa, Fernando Gabeira, a acusá-lo de ter “um jeito clientelista de fazer política”. Um dos golpes mais duros que o verde recebeu veio do prefeito de Duque de Caxias, José Camilo Zito (PSDB). À frente do terceiro maior colégio eleitoral do Estado, com 590.370 eleitores, Zito declarou apoio à reeleição de Cabral sob o argumento de Gabeira fazia campanha para a senadora Marina Silva (PV) à Presidência em vez do candidato do PSDB, José Serra.

“O que mais me chamou a atenção, acho até que foi inédito, foi a falta de propostas da oposição. Não teve uma que pudesse fazer o eleitor mudar ou refletir sobre uma mudança de voto. Foi um vazio muito grande”, diz a cientista política Ingrid Sarti, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). “Tenho a impressão que o bom desempenho de Cabral foi, de fato, a combinação do apoio que ele recebeu do governo federal, em especial do presidente Lula, e dos projetos que ele implantou, como as UPAs e as UPPs”, conclui.

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