Violação de sigilo: Serra entrará com duas novas ações

Campanha do presidenciável tucano toma por base quatro fatos novos para pedir nova investigação

Ricardo Galhardo, iG São Paulo |

A campanha do presidenciável tucano José Serra vai entrar com duas novas ações judiciais em reação da violação do sigilo fiscal da filha dele, Verônica Allende Serra. A informação foi dada durante entrevista coletiva na tarde deste sábado, da qual participaram o candidato a vice na chapa de Serra, Índio da Costa, o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge Caldas, o senador tucano pelo Paraná, Álvaro Dias, e o candidato a deputado federal Roberto Freire, do PPS.

A primeira ação é uma representação ao Ministério Público Eleitoral para que seja feita uma investigação jurídico-eleitoral do episódio. Na prática, é exatamente a mesma medida que os tucanos adotaram logo no primeiro momento em que o caso veio à tona e foi divulgado como pedido de cassação do registro de candidatura da presidenciável petista Dilma Rousseff.

Neste sábado, os integrantes da campanha esclareceram que, na época, não foi feito um pedido de cassação, e sim, de investigação. E que no pedido não é possível definir qual é a pena. Como a primeira representação foi descartada pelo Tribunal Superior Eleitoral, os tucanos acreditam que vão ter sucesso por causa de novos fatos que vieram à tona no fim de semana.

Agência Estado
Eduardo Jorge, Índio da Costa, Álvaro Dias e Roberto Freire
Eles citam quatro fatos novos: a revelação de que o contador Antonio Atella Ferreira foi filiado ao PT; a notícia divulgada pela revista Veja de que o PT teria pago hospedagem para o jornalista Amaury Ribeiro Júnior; a falsificação da assinatura de Verônica Serra e assalto ao Diretório Municipal do PT em Mauá, que segundo os tucanos, foi praticado pelo próprio PT para esconder a ficha de filiação de Antonio Atella.

A segunda ação será feita contra o superintendente e o corregedor da Receita Federal por crime de improbidade administrativa.

Recuos

Durante toda a entrevista, os apoiadores da candidatura Serra disseram reiteradas vezes que o objetivo dessas ações não é eleitoral, mas apenas de preservar as instituições democráticas. Questionados por que José Serra não tomou providências em janeiro deste ano, quando ele disse que teria se queixado ao presidente Lula de que dados sigilosos da sua filha estariam aparecendo em sites de apoio ao PT, eles recuaram. Disseram que Serra, na época, não tinha evidências nem indícios de violação de sigilo, mas apenas da veiculação de fatos inverídicos sobre Verônica Serra. “Ele (Serra) não tinha indícios de violação fiscal. Ele tinha indícios de informações inverídicas que estavam sendo divulgadas em blogs, entre eles o “Amigos do Presidente Lula”, disse Álvaro Dias.

No começo da entrevista, Dias chegou a comparar o caso com o escândalo de Watergate, que levou à renúncia do presidente dos EUA Richard Nixon, e a dizer que o presidente Lula era responsável pela violação. Na sequência, questionado sobre o motivo de o PSDB não mover uma ação na Justiça contra o presidente Lula, Dias voltou a recuar e disse que Lula tem responsabilidade administrativa e política por ser o autor da nomeação dos chefes da Receita Federal, mas não tem responsabilidade criminal.

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