Violação de sigilo é 'banalização do dolo', diz Marina

Candidata do PV lança o 'setembro livre' e afirma que aos poucos se descobre que há muito 'pé de barro' na gestão pública

Agência Estado |

A candidata do PV à Presidência da República, Marina Silva, condenou mais uma vez o episódio sobre o vazamento de sigilos fiscais de 140 pessoas e criticou o que chamou de "descontrole" na Receita Federal. "É isso que dá quando não se tem transparência, se banaliza o dolo", disse a candidata em evento de campanha em Rio Branco, no Acre. Marina manifestou seu desconforto sobre a revelação de que o vice-presidente do PSDB, Eduardo Jorge, teve seus dados acessados 10 vezes, e disse que os brasileiros estão vulneráveis.

"Antes de ficar com uma preocupação individual, tenho a preocupação institucional como senadora, como candidata e cidadã, de que se investigue e que possa se punir os culpados, que se assumam responsabilidades com esse descontrole na gestão pública. Aos poucos se está descobrindo que existe muito 'pé de barro' na gestão pública", afirmou.

Marina avaliou que a situação é uma repetição ampliada do episódio da quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo da Costa, que culminou com a queda do ministro da Fazenda Antonio Palocci. "Se fosse em qualquer outro país, na Europa ou nos Estados Unidos, o ministro (Guido Mantega) já estaria dando explicações ao Congresso. Lamentavelmente aqui está sendo tratado como brincadeira", disse, ao citar o discurso de Mantega sobre o episódio.

Na opinião da candidata, o vazamento do sigilo fiscal é um sintoma da falta de transparência e descontrole da gestão pública, embora tenha evitado generalizar a questão. "Aos poucos, a falta de transparência e a falta de profissionalização do Estado vai se revelando no grande 'pé de barro' daqueles que pensam que é apenas o poder pelo poder", enfatizou.

Apesar do episódio, Marina disse que manterá sua campanha no nível da discussão de propostas e que não fará "acusações levianas". "Eu quero ganhar as eleições com as instituições. Para que as instituições funcionem, é fundamental o respeito à lei, o respeito ao cidadão e que a gestão pública não fique banalizada pelos erros cometidos que vêm se repetindo ."

Setembro livre

No segundo dia de visita à sua terra natal, Marina participou da comemoração do "Dia da Amazônia" com crianças, lideranças do PV local e sua família. O evento aconteceu nas imediações do Parque Chico Mendes e contou com a presença de Ilzamar Mendes, viúva do líder seringueiro morto em 1988, de seus filhos Elenira e Sandino, e da neta Maria Luíza.

A menos de um mês das eleições, Marina lançou seu "setembro livre", para incentivar os eleitores a votar em quem acreditam. "Esse é o setembro livre para que as pessoas possam votar em quem acreditam, livre da incompetência, livre da incoerência, livre das queimadas e do modelo predatório na Amazônia", completou.

Marina destacou que o Plano Amazônia Sustentável, projeto de combate ao desmatamento, já conseguiu reduzir a destruição da floresta, mas precisaria de um investimento contínuo de R$ 34 bilhões adicionais por 10 anos para acabar com as queimadas e o cultivo ilegal na região. Durante o evento, Marina recebeu o apoio da família de Chico Mendes, que a considera como a única herdeira do legado do líder seringueiro. "Fico imaginando o quanto ele (Chico) estaria feliz vendo você enfrentando os poderosos que impedem você de divulgar sua mensagem", disse Elenira Mendes, apoiadora da campanha de Marina e filiada ao PV.

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